O Marrocos avançou nas regulamentações que permitem o cultivo de cannabis em uma área do país.
O país do norte da África que, com a Espanha, flanqueia a estreita entrada para o Mediterrâneo a partir do Oceano Atlântico, concordou em prosseguir com o processo de aprovação para o cultivo de cannabis medicinal.
Um diferencial do Marrocos, assim como vem acontecendo na África do Sul, é colocar a indústria canábica em uma parte específica do país – muito por conta do desenvolvimento estratégico, econômico e sustentável.
É fácil entender a lógica de focar o mercado de cannabis em uma região específica. No caso do Marrocos, por motivos históricos e geográficos.
Agricultores marroquinos, nas províncias chamadas “Portal para a Europa” de Al Hoceima, Chefchaouen e Taounate poderão cultivar a planta legalmente, antes dos demais.
Chefchaouen fica no “braço” mais ao norte do país, em direção ao Mediterrâneo. De lá, é preciso fazer uma curta viagem de barco para chegar à Europa, via Espanha.
Al Hoceima fica bem ao lado, a leste – igualmente com acesso ao Mediterrâneo, assim como Taounate, que também incorpora as Montanhas Rif.
O Triângulo Esmeralda é uma região na Califórnia responsável pela maior produção e cultivo de cannabis dos Estados Unidos.
Não seria exagero chamar a região marroquina de Triângulo Esmeralda também. O local, hoje, é o centro de cultivo ilícito de cannabis e haxixe no mercado interno do país, que atualmente emprega cerca de 800 mil pessoas.
O Marrocos foi classificado como o maior produtor de resina de cannabis do mundo, segundo o relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime em 2020.
O haxixe marroquino é vendido no mercado paralelo em toda a Europa.
Se o país conseguir transformar todo esse mercado ilegal em legal, os beneficios, tanto econômicos como sociais, serão consideráveis.
O decreto, que foi elaborado pelo Ministério do Interior com outros órgãos competentes, faz parte da aplicação da lei de cultivos, aprovada em maio do ano passado.
O governo estima que sua indústria doméstica de cannabis pode gerar, anualmente, entre 420 e 630 milhões de dólares em produtos.
As autoridades estão contando com essa receita como uma injeção valiosa de dinheiro estrangeiro, que planeja usar para o desenvolvimento econômico da região e do país.
A aprovação da lei e a implementação de tais regulamentos é o resultado de uma batalha, em nível federal, de 11 anos sobre a cannabis medicinal.
O Marrocos já estabeleceu uma Agência Nacional para a Regulação de Atividades Relacionadas à exploração da Cannabis.
É esta agência que comprará colheitas legais e regulamentadas, que depois venderá como um entreposto administrativo, à medida que funcionários do governo — do Interior, da Agricultura, da Saúde e do Comércio — decidem os termos das próprias licenças.
A nova lei, em um esforço para conquistar os corações e mentes dos agricultores, também está apoiando a criação de cooperativas, que negociarão diretamente as tarifas com os fabricantes.
A ideia é criar uma indústria legal que traga o tão necessário investimento estrangeiro, receita tributária e a criação de empregos, eliminando o mercado ilegal.
Os titulares de licenças serão obrigados a fornecer, à nova agência de cannabis, relatórios mensais e anuais sobre sua produção.
Esses relatórios terão que incluir o estoque geral, sementes, mudas e produtos de cannabis, bem como um inventário físico das instalações de fabricação.
A porcentagem de Tetrahidrocanabinol (THC) na cannabis cultivada também será definida pelo governo.
O Marrocos, como resultado, pode se tornar, junto com a África do Sul, uma experiência nacional para transformar um empreendimento criminoso, generalizado em uma área estratégica do país, em legítima atividade sustentável e geradora de receita.
Arthur Pomares
Jornalista e produtor de conteúdo da Cannalize. Apaixonado por café, futebol e boa música. Axé.
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