Consulta pública do MAPA inclui cannabis e cânhamo na lista de plantas cultivadas. Prazo para enviar contribuições vai até o fim de janeiro.

MAPA põe cannabis e cânhamo em lista para consulta pública. Foto: Envato
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) abriu uma consulta pública para atualizar a lista oficial de plantas cultivadas no Brasil. Entre as espécies incluídas na proposta estão a cannabis e o cânhamo, conforme apuração do portal Sechat. A iniciativa marca mais um movimento relevante dentro do debate regulatório sobre o cultivo da planta no país.
A consulta foi formalizada por meio da Portaria SDR/MAPA nº 815, publicada no Diário Oficial da União. O objetivo é receber contribuições da sociedade para revisar e atualizar a relação de espécies vegetais consideradas domesticadas ou cultivadas no território nacional.
A consulta pública do MAPA permite que cidadãos, pesquisadores, entidades e empresas enviem sugestões técnicas sobre a lista de plantas cultivadas no Brasil. Essa relação serve como referência para políticas públicas, pesquisas agrícolas e atividades produtivas ligadas ao setor agropecuário.
Além disso, o documento substitui uma portaria anterior e atualiza a lista que havia sido consolidada em 2021. Segundo o ministério, a revisão busca refletir melhor a diversidade de espécies atualmente cultivadas no país, considerando avanços científicos e mudanças no cenário produtivo.
A presença da Cannabis sativa L., incluindo o cânhamo, é um dos pontos que mais despertaram interesse. Embora a inclusão não autorize automaticamente o cultivo irrestrito, ela representa um reconhecimento formal da planta dentro de um instrumento técnico do MAPA.
Hoje, a cannabis já possui regulamentação específica para uso medicinal, sob normas da Anvisa. No entanto, o cultivo ainda depende de autorizações judiciais ou regras específicas. Por isso, o debate no âmbito do Ministério da Agricultura é visto como um passo importante para o amadurecimento regulatório do setor.
Além disso, o cânhamo industrial tem ganhado destaque por suas aplicações em fibras, sementes, biocombustíveis e produtos derivados do canabidiol (CBD). Assim, a consulta pública cria espaço para discutir o tema sob a ótica agrícola e produtiva.
O MAPA estabeleceu um prazo de 30 dias para envio de contribuições, contado a partir da publicação da portaria. Na prática, isso significa que a participação está aberta até o fim de janeiro.
Os interessados podem encaminhar sugestões por e-mail, desde que apresentem justificativas técnicas, científicas ou bibliográficas. O ministério avaliará as contribuições antes de consolidar a versão final da lista.
Esse processo é comum em atualizações regulatórias e permite maior transparência. Além disso, amplia a participação social em decisões que impactam diretamente o agronegócio e setores emergentes, como o da cannabis.
Leia também: MAPA impõe regras para a importação de sementes de cannabis
A inclusão da cannabis e do cânhamo na lista em consulta não muda, por si só, a legislação vigente. Ainda assim, o movimento pode influenciar futuras normas técnicas, facilitar pesquisas agronômicas e fortalecer debates sobre produção nacional.
Do ponto de vista do mercado, o reconhecimento da planta em documentos do MAPA ajuda a reduzir inseguranças regulatórias. Consequentemente, empresas, pesquisadores e associações passam a ter mais elementos para dialogar com o poder público.
Por fim, a consulta pública do MAPA ocorre em um momento em que o Brasil discute novos caminhos para a cannabis medicinal e industrial. Nesse contexto, a participação da sociedade pode ser decisiva para orientar os próximos passos da política agrícola relacionada à planta.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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