Na importação de cannabis, a alta demanda faz com que produtos orais costumem ser mais em conta do que produtos tópicos ou nasais

Importação de cannabis: preço varia de acordo com a forma de uso
Segundo o Anuário da Kaya Mind 2025, os preços dos produtos importados à base de cannabis variam bastante conforme a via de administração. Um valor que pode pesar na hora de começar um tratamento.
O levantamento mostrou que mercado de importados de cannabis medicinal evolui 10% em comparação com 2024, mas o preço que o paciente paga muda bastante de acordo com a forma de uso.
A via oral, por exemplo, se mantém como a opção mais acessível (R$ 0,36/mg), enquanto as vias bucal e nasal concentram os valores mais altos (R$ 2,67/mg).
Para começar, a via oral responde por 83,2% dos produtos importados e oferece 15 formas farmacêuticas (tinturas, cápsulas, óleos, soluções), com preço médio de R$ 0,36 por mg.
Portanto, o paciente que precisa de uso contínuo, titulação simples e ampla disponibilidade tende a pagar menos por mg quando escolhe soluções orais. Além disso, a escala produtiva maior e a padronização reduzem custo e facilitam o acesso.
Em seguida, aparecem os tópicos (cremes, pomadas, géis): eles representam 15,7% da oferta e chegam a 22 formas farmacêuticas, porém o preço médio sobe para R$ 0,64/mg. Por quê?
Em geral, essas formulações exigem matrizes e excipientes específicos, maior controle de estabilidade e testes dermatológicos, o que eleva a complexidade e, consequentemente, o custo por unidade de princípio ativo.
Já as vias retal/intravaginal ficam com participação de 0,6%, apresentam 4 formas e cobram R$ 1,52/mg. Embora menos populares, elas interessam a nichos de prescrição que buscam absorção rápida ou efeitos localizados.
Porém, o menor volume de produção, a escala limitada e os requisitos técnicos de formulação explicam o custo bem superior à via oral.
Na outra ponta do espectro, as vias bucal e nasal figuram entre as mais caras. A bucal tem 0,3% de participação, 3 formas e R$ 2,52/mg; a nasal responde por apenas 0,1%, com 1 forma e R$ 2,67/mg.
Em ambos os casos, a combinação de alta especialização, baixa oferta, demandas tecnológicas (como dispositivos, solventes e estabilizantes apropriados) e a necessidade de padronização rigorosa puxa os preços para cima. Assim, o paciente paga mais por mg quando busca essas rotas com RPD (rápido início de ação) ou aplicação muito específica.
Em síntese, o custo por mg dos importados escala com a complexidade da formulação e cai com a escala produtiva e a padronização. Enquanto a via oral entrega o melhor custo-benefício em tratamentos de manutenção, por outro lado as vias bucal e nasal aparecem como alternativas de nicho, mais caras, porém desejadas em situações clínicas que exigem onset acelerado ou rota específica.
Portanto, médicos e pacientes ganham ao comparar preço por mg e objetivo terapêutico antes de decidir a importação.
Por fim, a diversidade de vias de administração nas importações ajuda a personalizar terapias, mas implica diferenças reais de preço. À medida que o setor amadurece e que mais estudos e padronizações avançam, o mercado pode reduzir esses hiatos de custo — sem perder a capilaridade que hoje sustenta a escolha clínica.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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