Feira espera 45 mil visitantes e traz à tona os impactos econômicos, sociais e regulatórios do cultivo de cannabis no Brasil.

Coletiva de imprensa da Expocannabis Brasil 2025 no Consulado do Uruguai. Foto: Sérgio Castro/ Rojas Comunicação
Na manhã desta quarta-feira (17), o Consulado do Uruguai em São Paulo recebeu jornalistas para uma coletiva de imprensa. O encontro marcou o lançamento da terceira edição da Expocannabis Brasil, que acontece em novembro.
O evento apresentou dados atualizados sobre a regulamentação uruguaia e discutiu os potenciais caminhos do mercado brasileiro. Para isso, reuniu figuras como Mercedes Pónce de León, cofundadora da Latinnabis, Larissa Uchida, CEO da Expocannabis Brasil, e Thiago Cardoso, chefe de inteligência da Kaya.
A terceira edição da feira coincide com o ano em que o cultivo de cannabis para fins medicinais pode, finalmente, ser regulamentado.
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“Esse ano é a terceira edição do evento e, como todo mundo tem dito aqui, a gente está realmente muito ansioso para essa feira desse ano, porque muito provavelmente vai ser uma feira histórica”, disse Larissa Uchida, organizadora da feira.
O debate acontece em meio a uma conjuntura inédita. A decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) obrigou a União e a Anvisa a se posicionarem sobre o cultivo. Dessa forma, abriu-se caminho para um possível redesenho regulatório ainda em 2025.
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Depois que o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) estabeleceu critérios para a importação de sementes, a pauta também entrou na agenda da Diretoria Colegiada da Anvisa.
Para Thiago Cardoso, a nova edição da Expocannabis tem papel estratégico nesse cenário:
“Estamos em um momento de entropia de mercado mesmo, onde muitas coisas estão para ser decididas, e a Expocannabis tem um papel muito importante na pressão política, para a gente conseguir avançar com a pauta de uma maneira responsável.”
A Expocannabis Brasil acontece nos dias 14, 15 e 16 de novembro, em São Paulo/SP.
A feira pretende mostrar como a cannabis pode transformar diversas indústrias e se alinhar à agenda ambiental global. Segundo Larissa Uchida, o potencial ecológico da planta vai além da saúde.

Larissa Uchida, da Expocannabis Brasil: “somos a primeira empresa de cannabis a sustentar as emissões de carbono”. Foto: Sérgio Castro/ Rojas Comunicação
“A Cannabis se encaixa totalmente na agenda de 2030 da ONU. Além disso, cada parte da planta tem um uso: as flores abastecem a indústria farmacêutica, as folhas fortalecem o setor de cosméticos, as sementes atendem à indústria alimentícia e também à de biocombustíveis.”
Ela também ressaltou que o próprio evento adota práticas sustentáveis:
“Além do debate setorial, o próprio evento adota práticas sustentáveis: em 2023 e 2024 conquistamos o selo de evento totalmente sustentável. Somos a primeira empresa de cannabis a compensar as emissões de carbono com o cultivo de cannabis.”
O encontro também trouxe dados inéditos. Segundo levantamento da Kaya Mind, a regulamentação do cultivo de cannabis medicinal poderia gerar até 226 mil empregos. Além disso, movimentaria R$ 1,1 bilhão ao ano já nos primeiros anos, podendo chegar a R$ 4,9 bilhões anuais.

Thiago Cardoso, da Kaya Mind, mostrou números novos sobre o potencial de geração de empregos pelo cultivo de cannabis. Foto: Sérgio Castro/ Rojas Comunicação
“O cânhamo industrial não produz canabinoides e pode abastecer algumas das maiores cadeias produtivas do país, como a têxtil, a construção civil e a alimentícia. Com ele, o Brasil pode gerar centenas de milhares de empregos e liderar um novo mercado global.”, destacou Thiago Cardoso.
A CEO da Kaya, Maria Eugênia Riscala, reforçou que a regulamentação deve ser vista como estratégia econômica:
“Quando olhamos para o mercado da cannabis como um todo — medicinal, industrial e recreativo — vemos um potencial bilionário e capaz de transformar a economia brasileira. Regulamentar é mais do que uma questão de saúde: é uma estratégia de desenvolvimento.”
Na coletiva, também se discutiu como Brasil e Uruguai podem trocar experiências em seus modelos regulatórios. Enquanto no Uruguai a maior parte do consumo é de flores in natura, no Brasil as flores permanecem proibidas. Assim, o mercado regulado se concentra em produtos industrializados.
Mercedes Ponce de León, cofundadora da Expocannabis Uruguai, destacou o potencial produtivo brasileiro: “Vocês poderiam ter grandes produções, com menores preços, muito mais acessíveis. E hoje, como vocês não produzem, o que está acontecendo é que vocês estão comprando o produto. E para nós, um país pequeno como o Uruguai, é uma oportunidade.”

Mercedes Ponce de León, cofundadora da Expocannabis Uruguai, acredita na exportação de cannabis pelo Brasil no futuro. Foto: Sérgio Castro/ Rojas Comunicação
Ela completou: “Mas eu acho que nessa construção de políticas para o futuro, a abertura de Brasil para poder criar unidades produtivas e descer os preços, sem perder a qualidade, eu acho que vai melhorar a qualidade da vida de muitas pessoas, por exemplo, e dar a vocês oportunidades que vocês exportarem também esses produtos fora do país.”
Com a Expocannabis Brasil e as pressões judiciais e políticas em curso, 2025 caminha para ser lembrado como o ano da regulação da cannabis no Brasil. Mais do que discutir produtos e mercado, o debate sobre o cultivo se conecta a temas de sustentabilidade, emprego e desenvolvimento econômico, reposicionando a cannabis como pauta estratégica para o país.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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