Doação de órgãos por consumidores de maconha não apresenta riscos, segundo estudo

Doação de órgãos por consumidores de maconha não apresenta riscos, segundo estudo

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Segundo a pesquisa, os órgãos de pessoas que utilizaram a maconha podem ser doados sem complicações para quem vai receber

Doação de órgãos por consumidores de maconha não apresenta riscos, segundo estudo
Foto: Freepik

Um novo estudo financiado pelo governo estadunidense examinou os possíveis riscos da doação de órgãos por consumidores de maconha.

Segundo a pesquisa, não foi encontrada nenhuma indicação de que o uso recente aumente a probabilidade de complicações significativas no ano após um transplante.

Ainda assim, muitos prestadores de cuidados de saúde continuem a restringir os transplantes aos consumidores de cannabis.

Sem risco aos pulmões

O estudo analisou as taxas de infecções, fracassos de transplantes e mortes entre os receptores, e sugere que os órgãos de dadores com histórico de consumo recente de maconha não representam riscos infecciosos significativos no período inicial pós-transplante.

Mesmo ao avaliar apenas receptores de pulmão, não houve nenhuma associação entre o uso de maconha por doadores e o risco de infecção pós-transplante.

“Apesar da preocupação de que a exposição do doador à maconha aumente o risco de infecção, nosso estudo descobriu que o histórico de uso de maconha do doador não apresentou ameças respiratórias, risco de infecção bacteriana ou fúngica e nem a falha do enxerto ou morte pós-transplante”, escreveram os autores.

Receio

À medida que mais estados legalizaram a maconha, as taxas relatadas de consumo entre adultos também aumentaram, observa o novo estudo, publicado no final do mês passado no American Journal of Transplantation.

“É provável que uma proporção crescente de doadores de órgãos falecidos também tenha um histórico de uso de maconha”, afirma, “embora esta métrica não tenha sido relatada especificamente”.

Os pesquisadores afirmam que as infecções são a principal preocupação. Descobertas anteriores, por exemplo, mostram que as próprias folhas de maconha podem estar contaminadas com bactérias e fungos potencialmente perigosos.

Dessa forma, a  maconha inalada tem sido associada a certas infecções entre receptores de transplantes, enquanto surtos bacterianos também têm sido associados ao uso de maconha entre a população não transplantada.

O que ficou menos claro é se os órgãos de usuários de maconha poderiam representar riscos para os receptores de transplantes.

“O objetivo do nosso estudo”, escreveram os autores, “é caracterizar melhor os riscos de infecção que o uso de maconha entre doadores falecidos de órgãos pode representar para os receptores”.

Como o estudo foi feito

Conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, da Universidade da Califórnia em São Francisco, da Universidade Temple e do Programa de Doadores Gift of Life, o estudo analisou dados de três centros de transplante na Filadélfia.

Incluiu transplantes entre 1º de janeiro de 2015 e 30 de junho de 2016 envolvendo órgãos adquiridos pelo programa Gift of Life. A pesquisa foi financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde, Centros de Controle e Prevenção de Doenças e Programa de Subsídios para Pesquisa Inovadora da Transplant Foundation.

Os transplantes foram definidos como provenientes de um usuário recente de maconha, caso um exame toxicológico mostrassse a presença de THC (tetraihdrocanabinol) ou se um parente próximo ou um informante do doador relatasse que o falecido tinha um histórico de uso de cannabis nos últimos 12 meses.

Analisando dados de centenas de transplantes de órgãos, os pesquisadores avaliaram três resultados primários: se os exames dos próprios doadores tiveram resultado positivo para infecção bacteriana ou fúngica, se os receptores de órgãos desenvolveram novas infecções bacterianas ou fúngicas invasivas e se o transplante resultou na falha do enxerto ou na morte do receptor.

Para cada resultado, não encontraram aumento significativo no risco envolvendo doadores com histórico de uso recente de cannabis.

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