• 25 de junho de 2022

Croácia abre primeiro museu de cannabis do país

 Croácia abre primeiro museu de cannabis do país

Aerial view at old city center of capital of Croatia, Zagreb, Europe.

O museu de 400m² terá dois andares mais um amplo espaço ao ar livre, e está localizado em frente ao Ministério do Interior. 

O primeiro museu de cannabis da Croácia acaba de abrir na capital do país, Zagreb. Com qual objetivo? Educar o público sobre a planta. 

O novo museu oferece um guia experimental através da história da cannabis, acompanhado de exposições que incluem desde música até filmes com o tema. 

 

Museus temáticos não são novidade para Zagreb, que oferece “museus” sobre os anos 1980, relacionamentos rompidos e até um exclusivo para a ressaca. 

Legalização na Croácia

Na Croácia, como em outros países europeus, o cânhamo é legal; o uso médico é permitido em casos muito limitados. Pequenas quantidades de posse de alto teor de Tetrahidrocanabinol (THC) são criminalizadas, mas pode levar a multas que variam de 700 a 3 mil dólares. 

Plantar e vender, no entanto, são severamente punidos, com pena mínima de três anos de prisão. 

Uso medicinal da cannabis no país

A reforma para a legalização, limitada ao âmbito medicinal, aconteceu em outubro de 2015 depois que um paciente de esclerose múltipla foi pego cultivando sua própria planta para tentar manter os sintomas sob controle. 

A cannabis para uso medicinal é um bom passo; no entanto, na Croácia, assim como em outros lugares, ainda deixa os pacientes em risco de criminalização, principalmente se seus médicos se recusarem a prescrever o medicamento. 

Em fevereiro de 2020, a União Democrática Croata (HDZ) tentou apresentar um projeto de lei no parlamento para legalizar totalmente a planta, mas falhou. Entre outros motivos, a oposição conservadora e, claro, a COVID. 

Clima lento para legalizações europeias

Existem várias razões pelas quais a reforma da cannabis está muito mais lenta na União Europeia. 

Ao contrário do Canadá, os estados dos EUA e do México, tanto tribunais soberanos quanto os da União Europeia têm relutado em decidir sobre os direitos constitucionais de posse e cultivo de cannabis.

A questão foi deixada de lado com a tentativa de mudar o foco para o âmbito medicinal – embora a reforma do CBD tenha gradualmente começado a se firmar.

Capitalismo selvagem

Há outra razão que hoje é a fundamental para a lentidão da legalização total e do crescimento de tratamentos com a planta. 

Os governos que legalizaram o uso recreativo querem uma indústria totalmente legítima, tributável e responsável.

Embora não haja nada de errado nisso, além de ser uma maneira sensata de garantir a saúde do consumidor, a abordagem até agora tem sido negar aos pacientes o direito de cultivar suas próprias plantas,  circunstância que leva as seguradoras de saúde se recusarem a cobrir os custos. 

Pacientes com doenças graves geralmente também são os mais vulneráveis economicamente e, é claro, também não poderão participar economicamente de uma futura reforma para o uso adulto – justamente por não conseguirem comprar as licenças. 

Educação e informação

A educação, como em campanhas e mídias sociais, junto aos esforços como o do novo museu de cannabis na Croácia, continuam sendo muito importantes. 

Mas também é cada vez mais perceptível que não são suficientes. Uma profunda mudança na educação de legisladores e políticos, bem como de médicos e outras autoridades, precisa  se tornar comum. 

O tempo de “demonizar” a planta e seus usuários está superado. Inclusive, a proibição em si é tema de uma das exposições do museu. 

Arthur Pomares

Jornalista e produtor de conteúdo da Cannalize. Apaixonado por café, futebol e boa música. Axé.

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