CBCM ocorre entre 21 e 23 de maio, em um ano de avanços regulatórios e pode influenciar decisões sobre cultivo, acesso e produção no Brasil.

Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal
O avanço da regulamentação da cannabis medicinal no Brasil acontece em um momento estratégico: às vésperas do principal encontro científico e de negócios do setor no país.
A realização do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal e da Cannabis Fair 2026, em São Paulo, deve reunir médicos, pesquisadores, empresas e reguladores em um cenário que vai além da troca de conhecimento — e pode impactar diretamente os próximos desdobramentos da regulação no país.
Isso porque as novas diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), impulsionadas após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ainda estão em fase de consolidação — e muitos dos temas centrais serão debatidos durante o evento.
Leia também: STJ valida regulação da cannabis medicinal no Brasil
Nos últimos meses, o Brasil começou a estruturar um modelo mais claro para a cannabis medicinal, com regras que envolvem:
Além disso, surgem novos caminhos para:
Apesar dos avanços, especialistas apontam que o cenário ainda está em aberto — especialmente em relação à implementação prática dessas regras.
É justamente nesse ponto que o congresso ganha relevância.
Mais do que um encontro acadêmico, o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal se consolida como um ambiente onde ciência, mercado e regulação se cruzam.
A edição de 2026 deve reunir cerca de 130 especialistas para discutir temas diretamente ligados ao momento regulatório, como:
Na prática, essas discussões ajudam a moldar consensos técnicos que frequentemente influenciam decisões regulatórias — especialmente em um setor ainda em consolidação.
Entre os pontos mais sensíveis da nova regulamentação estão o acesso dos pacientes e a possibilidade de produção nacional.
Hoje, o Brasil já conta com:
Mesmo assim, o modelo ainda depende fortemente de importações.
A possibilidade de cultivo controlado e manipulação em farmácias pode mudar esse cenário — mas levanta questões técnicas que devem ganhar protagonismo no congresso, como:
Outro tema que tende a dominar os debates é o papel das associações de pacientes.
Com a criação de um modelo regulado (sandbox), essas organizações passam a operar sob novas exigências, como:
O desafio será equilibrar acesso e segurança — um tema que deve gerar divergências e contribuir para o amadurecimento do setor.
O crescimento acelerado do mercado também pressiona a formação de profissionais.
O Brasil já soma cerca de 61 mil médicos prescritores, sendo a maioria novos na área
Esse avanço aumenta a demanda por:
E reforça o papel do congresso como espaço de atualização e padronização do conhecimento médico.
Enquanto a regulação avança, o setor privado também se movimenta.
A Cannabis Fair 2026 deve reunir empresas, investidores e startups em torno de uma cadeia produtiva que vai do cultivo ao produto final — indicando um mercado cada vez mais estruturado.
Esse movimento aumenta a pressão por regras claras e previsíveis, condição essencial para atrair investimentos e sustentar o crescimento.
A coincidência entre o avanço regulatório e a realização do principal evento do setor não é trivial.
Ela marca um ponto de inflexão:
o momento em que o debate sobre cannabis no Brasil deixa de ser fragmentado e passa a ocorrer de forma integrada entre ciência, mercado e regulação.
Mais do que refletir o que já aconteceu, o congresso de 2026 pode ajudar a definir o que vem a seguir.
A Cannabis Fair 2026 e o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal acontecem entre os dias 21 e 23 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Com programações complementares, os eventos reúnem, no mesmo espaço, diferentes frentes do setor:
Para quem acompanha a evolução da cannabis no Brasil — seja do ponto de vista médico, regulatório ou de mercado —, o encontro funciona como uma oportunidade de entender, na prática, os rumos do setor.
A inscrição para o congresso garante acesso à feira. Já o credenciamento da feira não inclui participação na programação científica.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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