• 17 de maio de 2022

Cidade israelense funda café medicinal de cannabis

 Cidade israelense funda café medicinal de cannabis

A cidade árabe, Tira, localizada na zona “fértil” do país, vai onde outras cidades israelenses ainda não foram. 

Smokey Monkey, com sede em Tira, acabou de desafiar as probabilidades. Tornou-se o primeiro café de cannabis medicinal em Israel

No lugar, as pessoas podem comprar e fazer o uso medicinal da cannabis  legalmente.

Como a ideia começou

Seu proprietário, Kama Shbeeta, ex-enfermeiro psiquiátrico, assumiu a missão de mudar o estigma associado ao uso de cannabis. 

Ao fundar o café, ele esperava se tornar uma alternativa ao mercado ilegal para aqueles que precisam de ajuda no tratamento de suas dores crônicas, além de orientar os pacientes a consumir os produtos com mais segurança.

Preconceito sofrido

A princípio, Shbeeta recebeu ameaças de morte e seu estabelecimento até foi vítima de um incêndio criminoso por parte de pessoas que viam seu trabalho com desconfiança.

No entanto, aos poucos, os vizinhos começaram a entender o que ele estava fazendo. 

Agora, pessoas com licença para o uso medicinal da cannabis podem se reunir no estabelecimento; foi anunciado recentemente que o local abrigará palestinos e israelenses em busca de tratamento. 

Fator histórico da região

O fato de um café de cannabis ter sido aberto em Israel já seria notícia suficiente. Mas é preciso destacar a localização exata do estabelecimento. A Smokey Monkey está localizada em Tira. Esse nome significa “O Forte” em árabe e hebraico. 

Faz parte de um aglomerado de aldeias árabes perto da chamada “Linha Verde”. Isso se refere à tinta verde usada para traçar a linha que demarca as primeiras fronteiras de Israel no mapa, enquanto as negociações do Armistício discutiam a criação do país após  a Segunda Guerra Mundial .

A fronteira permaneceu até a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Depois disso, os territórios além dessa linha foram anexados ao território de Israel e são mais conhecidos hoje como Jerusalém Oriental, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Colinas de Golã e Península do Sinai (do Egito, hoje em dia). 

Cachimbo da paz

A área inclui terras agrícolas consideradas as mais férteis de Israel. Por essa razão, em 1976, Tira teve 2/3 de suas terras cultiváveis expropriadas pelo estado de Israel. Hoje, a área é conhecida por sua alta taxa de criminalidade e desemprego. 

Na página do Facebook do café, no entanto, fica claro que, até agora, árabes e judeus se uniram para tratar suas doenças com cannabis de maneira pacífica e respeitosa.

Legalização em Israel

O país tem sido líder em termos de pesquisa de cannabis, bem como a legalização médica. A reforma recreativa, infelizmente, continua paralisada. 

Em 1° de abril de 2019, o governo descriminalizou o uso de cannabis por maiores de 18 anos. A posse de cannabis em casa não é mais um crime. 

Dito isso, os adultos pegos em público com pequenas quantidades de cannabis ainda estavam sujeitos a pagar uma multa de 275 dólares na primeira vez, 550 na segunda, e se pego três vezes em um período de sete anos, passível de processo criminal. Mas isso valeu até março deste ano.  

Avanço nas leis

Em 9 de março, o ministro da Justiça, Gideon Sa’ar, assinou portaria em que a posse e o consumo resultam apenas em multa administrativa. As leis anteriores expiram no final do mês (Março). 

As multas são limitadas em cerca de 150 dólares por descumprimento da lei. Menores, soldados, policiais e soldados servindo como guardas prisionais ainda estão excluídos do uso.

Embora ainda não seja a legalização completa, esta pelo menos é uma ação de mudança do status quo depois que os esforços para aprovar a legalização recreativa completa falharam em novembro de 2020.

Os israelenses que desejam ter seus registros criminais por posse de cannabis varridos das fichas criminais também podem solicitar, por meio de um formulário ao Ministério da Justiça, que seu “crime” seja revogado.

Abrindo caminhos

Os clientes do Smokey Monkey podem ser os primeiros usuários israelenses de cannabis a entrar em um Coffee Shop , mas certamente não serão os últimos.

 

 

Arthur Pomares

Jornalista e produtor de conteúdo da Cannalize. Apaixonado por café, futebol e boa música. Axé.

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