Estudo com 7 mil recém-nascidos não encontrou atrasos até os 3 anos. Entenda o que a pesquisa diz sobre cannabis e bebês.

Cannabis não prejudica desenvolvimento de bebês, diz estudo
Um estudo publicado na revista científica Academic Pediatrics analisou se a exposição à cannabis durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da University of North Carolina at Chapel Hill e acompanhou 7.240 recém-nascidos segurados pelo Medicaid, programa público de saúde dos Estados Unidos.
O objetivo foi claro: verificar se havia diferença no desenvolvimento e no uso de serviços de saúde entre crianças expostas à cannabis no útero e aquelas que não tiveram contato com a substância.
Leia também: Afinal, é de boa usar cannabis na gestação?
Os pesquisadores utilizaram exames toxicológicos de mecônio — as primeiras fezes do bebê — para identificar exposição intrauterina à cannabis. Em seguida, compararam dois grupos:
A análise acompanhou as crianças até os três anos de idade. Os cientistas avaliaram:
Os dados não indicaram prejuízos no grupo exposto à cannabis.
Entre os achados:
De forma inesperada, os bebês expostos apresentaram menor probabilidade de diagnóstico de atraso nos primeiros dois anos. No entanto, essa diferença desapareceu aos três anos.
Em resumo, dentro do período analisado, a exposição isolada à cannabis não alterou os padrões de saúde pediátrica observados nessa população.
Apesar dos resultados, os autores não concluem que o uso de cannabis na gravidez seja seguro.
A pesquisa não avaliou:
Além disso, estudos observacionais mostram associações, mas não estabelecem causalidade direta.
O tema segue sensível na saúde pública. Diversas entidades médicas ainda recomendam evitar o uso de cannabis durante a gestação por precaução, especialmente devido às incertezas sobre efeitos a longo prazo.
Por outro lado, pesquisas como esta ajudam a qualificar o debate. Em vez de assumir prejuízos automáticos, os dados indicam que os impactos podem ser mais complexos do que se costuma afirmar.
A relação entre cannabis e bebês ainda exige mais estudos, especialmente com acompanhamento por períodos mais longos.
Até o momento, porém, este trabalho sugere que, nos três primeiros anos de vida, não foram observados prejuízos no desenvolvimento infantil associados à exposição pré-natal à cannabis.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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