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Aos 72, Ângela encontra no CBD alívio para a dor crônica



09/09/2026


Após décadas convivendo com sequelas da poliomielite, cirurgias e dores crônicas, paciente relata melhora da rotina com tratamento à base de canabinoides 

Ângela Sandtfoss antes da cirurgia que mudaria sua vida. Foto: Acervo pessoal

Ângela Sandtfoss antes da cirurgia que mudaria sua vida. Foto: Acervo pessoal

Aos 72 anos, Ângela Sandtfoss continua levando uma vida ativa. Gosta de fotografar, ler, viajar, encontrar os amigos e cuidar da própria casa. Mas, para se locomover, precisa de um andador. A rotina também inclui fisioterapia diária e cuidados constantes com a postura. 

Essa realidade nem sempre foi assim. 

Ângela teve poliomielite aos 2 anos. A doença deixou como sequela uma fraqueza na perna direita, mas não impediu que ela tivesse uma vida praticamente normal durante décadas. Ela caminhava sem bengala ou andador e conta que sempre foi uma pessoa ativa. 

Com o passar dos anos, porém, a sobrecarga do lado esquerdo do corpo contribuiu, segundo seu relato, para o desgaste do quadril. Vieram a artrose, as dores e, depois de aproximadamente cinco anos adiando a cirurgia, a decisão de colocar uma prótese. 

O procedimento, que deveria aliviar o problema, acabou mudando completamente sua mobilidade. 

Foi depois dessa trajetória que o Nex Biopharma – Broad Spectrum – 2:1 CBD/CBG entrou na vida de Ângela. Hoje, ela afirma que o tratamento não eliminou todos os problemas, mas trouxe uma diferença importante para o seu dia a dia: as dores crônicas, que antes faziam parte constante da rotina, estão, segundo ela, muito mais controladas. 

Uma sequela que acompanhou Ângela por décadas 

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença infecciosa que pode provocar danos aos neurônios responsáveis pelos movimentos. Em alguns casos, as sequelas permanecem por toda a vida. 

No caso de Ângela, a infecção aconteceu ainda na primeira infância. 

“Eu fui bem atingida, mas graças a tratamentos como fisioterapia e ginástica, eu recuperei praticamente todos os movimentos”, conta. 

A principal sequela ficou na perna direita, que permaneceu mais fraca. Ainda assim, ela conseguiu caminhar durante boa parte da vida sem precisar de dispositivos de apoio. 

“Eu caminhava normalmente. Andava um pouquinho com dificuldade, claudicava um pouco, mas não era nada que me impedisse de fazer várias coisas.” 

A situação começou a mudar quando o lado esquerdo passou a ser mais exigido. 

Segundo Ângela, a sobrecarga contribuiu para o desgaste do quadril. A cartilagem se deteriorou e a dor aumentou progressivamente. 

Ela também conviveu com alterações na coluna e chegou a fazer tratamento com um colete ortopédico quando era mais jovem. 

Mesmo com as dores, adiou a cirurgia do quadril por cerca de cinco anos. Até que chegou um momento em que decidiu pelo procedimento. 

A prótese que deveria aliviar a dor 

A prótese de quadril é utilizada para substituir estruturas da articulação que foram comprometidas, geralmente por condições como a artrose. O procedimento busca reduzir a dor e melhorar a função da articulação. 

Ângela passou pela primeira cirurgia entre 2015 e 2016. Cerca de 20 dias depois, porém, teve uma luxação: a prótese saiu do lugar. 

Foi levada de ambulância ao pronto-socorro, onde o componente foi recolocado. Dois dias depois, a prótese voltou a sofrer uma luxação. 

A situação levou a uma nova cirurgia, dessa vez em caráter de emergência. 

“É uma dor absurda. É muito, muito doído. Não dá para se mexer, não dá para se levantar. Eu fiquei estática. Aí esperei a ambulância, me transportaram e me removeram até o pronto socorro. Chamaram o médico e ele colocou no lugar, sem anestesia, sem nada, a sangue frio.” 

Apesar do susto tudo correu bem e rápido.  

Mas depois da segunda cirurgia, veio uma mudança que teria consequências para o resto de sua rotina: Ângela relata que, depois da cirurgia, sua mobilidade mudou radicalmente. 

“Isso levou a uma coluna insustentável, uma coluna com uma curvatura absurda e eu fiquei torta”, conta. 

Antes da cirurgia, não precisava de qualquer apoio para caminhar. Depois, passou a depender de um andador. 

“De bípede eu virei quadrúpede” 

O andador trouxe segurança para se locomover, mas também passou a fazer parte da nova dinâmica corporal de Ângela. 

Por precisar de um andador para caminhar, Ângela brinca: "virei quadrúpede"

Por precisar de um andador para caminhar, Ângela brinca: “virei quadrúpede”. Foto: Acervo pessoal

“Eu falo que de bípede eu virei quadrúpede porque eu preciso das pernas e dos braços para andar”, brinca. 

A mudança significa que os membros superiores passaram a participar mais intensamente da locomoção. Com isso, ela relata dores nos braços, ombros e cotovelos, além dos problemas que já tinha na coluna e na região do quadril. 

A fisioterapia também passou a ocupar um espaço importante na rotina. Ângela faz exercícios todos os dias, sozinha, por cerca de uma hora, e uma vez por semana tem acompanhamento profissional. 

Ao longo dos anos, também recorreu a medicamentos convencionais para lidar com as crises. Em episódios de dor mais intensa, utilizava anti-inflamatórios prescritos por seu médico. Quando a intensidade era menor, recorria a relaxantes musculares. 

A dor, porém, continuava presente. 

O CBD entrou como uma tentativa 

Foi nesse contexto que o sobrinho de Ângela sugeriu que ela experimentasse o canabidiol. 

Leia também: Você sabe qual a diferença entre o CBD e o THC?

Ela aceitou a ideia e procurou o neurologista que passou a acompanhar o tratamento. Segundo seu relato, a indicação foi feita dentro de um acompanhamento médico, com aumento progressivo da dose. 

O tratamento começou com duas gotas. Depois de um período de avaliação, a dose foi aumentada gradualmente. 

“Você começa tomando duas gotas, passa uma semana, você analisa, se não ajudou, passa para quatro e assim progressivamente”, conta. 

A melhora, no entanto, não apareceu imediatamente. 

Durante aproximadamente um mês, Ângela chegou a questionar se o tratamento funcionaria. 

“No começo teve até momentos que eu falei: ‘Meu Deus, eu não estou sentindo melhora, será que não vai dar certo?’” 

A percepção mudou quando chegou à dose de dez gotas. 

“Quando eu comecei a tomar 10 gotas, eu comecei a me sentir muito melhor.” 

Com o tempo, ela conseguiu reduzir a dose. Hoje, relata utilizar oito gotas e, ocasionalmente, testar seis. Abaixo disso, diz que percebe o retorno das dores. 

A mudança não foi deixar de sentir dor 

Para Ângela, o resultado não significa que todas as dores desapareceram. 

Ela faz uma distinção entre as dores crônicas, que afirma estarem muito mais controladas, e episódios agudos que aparecem em determinadas situações. 

Se permanece em uma posição inadequada ou faz algum movimento que desencadeia uma dor repentina, por exemplo, o CBD não resolve necessariamente o problema. 

“Ele atua nas dores crônicas; nas dores ocasionais, por exemplo, uma dor de mau jeito, uma situação repentina ocasional, ele não atua.” 

Essa diferença também faz parte da experiência de Ângela com o tratamento. Ela não afirma ter recuperado a mobilidade nem deixado de usar o andador. 

O que mudou, segundo ela, foi a relação com a dor que fazia parte da rotina. 

“É horrível passar o dia sentindo dor. Eu sinto dores ocasionais, mas as crônicas estão bem equilibradas.” 

Para ela, esse controle representa qualidade de vida. 

Por que diferentes formulações de cannabis são utilizadas? 

O produto utilizado por Ângela é um óleo de cannabis de amplo espectro, ou broad spectrum. Esse tipo de formulação reúne diferentes compostos da planta, mas não contém THC. 

Leia também: CBD broad-spectrum: para que serve e como é produzido

A escolha da formulação faz parte da avaliação individual de cada tratamento e deve ser feita por profissional habilitado. No caso de Ângela, ela relata que o produto foi escolhido dentro do acompanhamento médico. 

A ausência de THC também significa que sua experiência não envolve os efeitos psicoativos associados a esse canabinoide. 

Isso não significa, porém, que uma formulação sem THC seja necessariamente adequada para todas as pessoas. CBD, THC e outros canabinoides têm propriedades diferentes, e a escolha depende de fatores como objetivo terapêutico, características do paciente, outros medicamentos utilizados e avaliação profissional. 

Aos 72 anos, acompanhamento continua sendo parte do tratamento 

A experiência de Ângela também chama atenção para outro aspecto: o uso de cannabis medicinal na terceira idade exige cuidados. 

Depois da cirurgia, Angela prefere aparecer em fotos sentada.

Depois da cirurgia, Angela prefere aparecer em fotos sentada. Foto: Reprodução/ Instagram

O envelhecimento pode alterar a forma como o organismo absorve, distribui e elimina medicamentos. Além disso, pessoas mais velhas podem utilizar vários medicamentos simultaneamente, o que torna importante avaliar possíveis interações. 

Leia também: Cannabis melhora a qualidade de vida de idosos, segundo estudo

Também é importante observar efeitos como sonolência, tontura e alterações no equilíbrio, especialmente em pessoas que já apresentam dificuldades de locomoção. 

No caso de Ângela, o tratamento não substituiu a fisioterapia nem outras estratégias utilizadas para lidar com suas limitações. O canabidiol entrou como mais uma ferramenta no manejo da dor. 

E, segundo ela, a diferença aparece menos naquilo que pode ser visto em uma fotografia do que naquilo que acontece durante o dia. 

“É uma coisa que você não vê. É uma coisa que eu só sinto.” 

Uma vida que continua em movimento 

Ângela ainda precisa do andador. Continua fazendo fisioterapia. Continua prestando atenção à forma como se senta, dorme e se movimenta. Também continua convivendo com algumas dores. 

Mas não deixou de fazer aquilo de que gosta. 

Ela fotografa, lê, faz trabalhos manuais, recebe amigos e continua tentando manter uma rotina ativa. Até as limitações impostas pela casa fazem parte da sua adaptação: há um andador no térreo e outro no andar de cima, porque ela precisa usar o corrimão para vencer as escadas. 

O CBD não mudou essa realidade. 

O que Ângela relata ter mudado foi a intensidade de uma das partes mais difíceis dela: passar o dia sentindo dor. 

Hoje, quando fala sobre sua trajetória, ela não apresenta a cannabis como uma solução para tudo. Fala sobre uma melhora específica dentro de uma história muito maior. 

E resume a própria maneira de lidar com os obstáculos com uma frase que também traduz sua personalidade: 

“Vou fazer do limão uma limonada, que é melhor do que sentar e chorar.” 

 

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Lucas Panoni

Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.