O estudo da USP reforça as propriedades do CBD para autismo. Contudo, ainda necessita de testes clínicos

Estudo da USP reforça o potencial do CBD para autismo
Em um estudo recente publicado na revista científica Pharmacology Biochemistry and Behavior, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), testaram o uso do CBD (canabidiol) para autismo em um modelo experimental em camundongos.
Dessa forma, eles avaliaram se o canabidiol poderia aliviar sintomas associados ao TEA (Transtorno do Espectro Autista). E, surpreendentemente, os resultados se revelaram muito animadores.
Primeiro, os cientistas submeteram camundongos machos a uma exposição pré-natal ao ácido valproico, uma substância conhecida por induzir alterações comportamentais e moleculares que se assemelham ao autismo em humanos.
Posteriormente, eles observaram se a substância conseguia reverter os sintomas. E, para sua satisfação, o CBD para autismo reverteu a maioria dos sintomas identificados nos animais.
Em seguida, os testes comportamentais ofereceram evidências claras: com o tratamento de cannabis, os camundongos apresentaram melhora significativa nas interações sociais e no reconhecimento de objetos.
Além disso, houve também melhorias moleculares, como na composição de neurotransmissores e neuroinflamação. O que reforçou ainda mais o potencial do CBD para autismo como agente terapêutico.
Os cientistas ainda destacaram que usaram, como controle positivo, um antagonista seletivo de receptores metabotrópicos de glutamato, chamado de composto MPEP. Dessa forma, puderam comparar diretamente os efeitos do CBD com outra substância conhecida por aliviar sintomas em modelos de autismo.
Mas essa não é a primeira vez que um estudo brasileiro destaca os benefícios da cannabis para o autismo. Em setembro de 2024, por exemplo, outra pesquisa demonstrou que o canabidiol atenua a quebra da inibição pré-pulso ao atuar via receptores TRPV1 e 5-HT1A.
Ou seja, o CBD ajudou a restaurar uma espécie de “filtro do cérebro” que ajuda a reagir de forma adequada aos sons e estímulos do dia a dia. Dessa forma, os camundongos tratados conseguiram reagir de forma mais equilibrada aos sons, como acontece em cérebros saudáveis.
Embora os trabalhos ainda estejam em fase pré-clínica, eles lançam luz sobre a capacidade do CBD para autismo. Tanto para influenciar o comportamento quanto os processos neuroquímicos associados ao TEA.
Contudo, é crucial salientar que esses resultados surgem de estudos com animais. Portanto, embora representem um avanço relevante, eles ainda necessitam de testes clínicos no futuro.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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