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Saúde e Ciência

Fentanil X cannabis: É possível substituir? 



19/08/2025


 Conversamos com um médico especializado em dor para entender melhor se a cannabis pode ou não substituir o fentanil 

Fentanil X cannabis: É possível substituir? 

Fentanil X cannabis: É possível substituir?

Em 2021, os Estados Unidos se depararam com um dado preocupante. Pela primeira vez, mais de 100 mil pessoas morreram em um único ano por overdose de opioides. Dessas mortes, mais de 66% estavam ligadas ao fentanil.  

Já um estudo realizado pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) dois anos depois, levantou números ainda mais alarmantes. Cerca de 300 pessoas morrem por dia pelo uso do medicamento no país norte-americano. 

Por isso, será que é possível substituir o fentanil? A cannabis pode ser uma opção para esta substituição? 

Mas o que é o fentanil? 

Segundo o 4º Informe do SAR (Subsistema de Alerta Rápido sobre Drogas) o fentanil é 50 vezes mais poderoso que a heroína e 100 vezes mais forte que a morfina. 

Pertencente à classe dos opioides sintéticos, o fentanil é um analgésico e anestésico utilizado em hospitais. É indicado para controlar dor intensa, especialmente em pacientes com câncer ou em cirurgias. 

O remédio pode ser administrado via injeção, adesivos transdérmicos ou pastilhas. Entre os efeitos do fentanil estão euforia, sedação e o alívio da dor, mas também podem causar sonolência, náuseas e constipação.  

Segundo o médico especialista em dor, Lucas Lomba, o fentanil exerce ação no Sistema Nervoso Central, reduz a transmissão nociceptiva e muda a percepção da dor, o que o torna eficaz para dor moderada a intensa, principalmente na dor oncológica e no perioperatório. 

Quem pode usar? 

O médico ressalta que o medicamento é indicado a pacientes com dor moderada a intensa quando outras opções falharam ou não são adequadas. O fentanil pode ser utilizado em pacientes com insuficiência renal moderada a grave, inclusive em hemodiálise.  

“Sua metabolização ocorre principalmente no fígado. Em pacientes com insuficiência hepática leve a moderada, ele pode ser usado, mas há risco de aumento da biodisponibilidade e prolongamento do efeito, porque o metabolismo pode estar reduzido,” ressalta. 

Quais os efeitos colaterais do fentanil? 

Segundo o Dr. Lomba, além da sonolência, náuseas e constipação, o fentanil também pode resultar em depressão respiratória (especialmente no início ou após aumentos de dose), retenção urinária, confusão mental e dependência química. 

Sem contar que o remédio apresenta risco altíssimo tanto de dependência quanto de overdose, muito superior à maioria dos opioides. 

“E o risco de eventos graves cresce com associação a outros depressores do Sistema Nervoso Central, como álcool ou benzodiazepínicos (Clonazepam, diazepam, alprazolam…)”, acrescenta.  

Dá para substituir pela cannabis? 

Segundo o médico especialista em dor, a cannabis pode substituir o fentanil em alguns casos. Atualmente já há estudos que mostram que os derivados da planta podem auxiliar no controle da dor crônica. Especialmente dores neuropáticas e na redução da necessidade de opioides. 

Isso porque a cannabis também pode influenciar o Sistema Nervoso Central, embora de uma forma diferente do fentanil. Através do Sistema Endocanabinoide, as substâncias presentes na cannabis podem modular a percepção da dor. Isso porque ela interfere na transmissão de sinais dolorosos para o cérebro. 

“No entanto, a cannabis não substitui completamente o fentanil em dores muito intensas, como em contexto de cuidados paliativos ou cirurgias, por exemplo.” 

Dá para usar o fentanil junto com a cannabis? 

O médico também diz que é possível utilizar o medicamento em conjunto com a cannabis. Segundo Lomba, a associação pode ter efeito sinérgico, que permite reduzir a dose necessária de opioide. Ou seja, ajuda a diminuir riscos de efeitos adversos. 

Segundo um estudo publicado na revista científica Drug Alcohol Depend com pacientes durante uma crise de overdose, o uso de cannabis estava associado a um risco menor de exposição ao fentanil. 

Embora precise de mais estudos, a hipótese é que a cannabis pode atuar como estratégia complementar de manejo da dor ou de controle do desejo por opioides, reduzindo a necessidade de consumo de substâncias mais perigosas. 

“Porém, a combinação deve sempre ser feita com acompanhamento médico, pois pode haver interações e aumento de efeitos colaterais, como sonolência e confusão mental,” conclui.  

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.