Mudança na identidade visual busca liberar estoque de cosméticos interditados pela agência. Marca nega mudança de nome e reforça compromisso com inovação e legalidade.

Novo logo da Hemp Vegan, alterado depois da decisão da Anvisa
Após a interdição de quatro cosméticos pela Anvisa, a marca Hemp Vegan decidiu reformular seus rótulos para voltar a comercializar os produtos. A mudança ocorre após a agência alegar que os nomes e termos nas embalagens poderiam confundir os consumidores. A medida, publicada no Diário Oficial da União em 22 de julho, proibiu a fabricação, comercialização, distribuição e propaganda dos itens.
Segundo os fundadores da Hemp Vegan, a alteração será limitada ao logotipo impresso nas embalagens. O nome da marca passará a aparecer como “H**p Vegan”, uma forma gráfica mais discreta, mas que mantém a identidade original. “Você vai bater o olho e vai saber que é Hemp Vegan”, afirmou a fundadora Bárbara Arranz em entrevista exclusiva. O CNPJ e o nome jurídico da marca seguem inalterados.
“Não estamos mudando o nome da marca. Estamos apenas ajustando o logotipo para diminuir o risco regulatório”, completou Gustavo Palencia, também fundador da empresa.
A interdição afetou diretamente o estoque da marca, que estimou R$ 600 mil em produtos prontos para venda, agora impedidos de circular no mercado. A nova estratégia busca “desencalhar os produtos” ao atender as exigências da agência reguladora.
Os cosméticos afetados foram:
– Psilo Glow Lip Balm
– Magic LSD Máscara Capilar
– Alucina Creme Hidratante
– California Drop Sérum Facial
Todos eram fabricados em modelo white label pela empresa BE Factory Laboratories, que agora está recolhendo os lotes para reenvasamento.
A marca também pretende relançar uma nova linha de maquiagens com estética neon e o logotipo reformulado. “É o mesmo produto, com a mesma identidade. Só adaptamos o visual para conseguir voltar ao mercado com segurança”, disse Bárbara.
Leia também: Anvisa proíbe a comercialização de produtos da Hemp Vegan
Apesar da alteração nos rótulos, os fundadores da Hemp Vegan reforçam que a identidade da marca está preservada. “Não vamos fugir. Vamos continuar incomodando, mas dentro das regras do jogo”, disse Gustavo.
A resposta do público ao momento delicado foi imediata. A marca lançou uma ação chamada “Sacolão Proibido”, convidando apoiadores a se cadastrarem para receber produtos e brindes. Em apenas dois dias, mais de 4.200 pessoas preencheram o formulário.
“Isso mostra que o público está com a gente. Queremos seguir criando, inovando, mas também respeitando as normas”, afirmou Bárbara.
A decisão da Anvisa se baseou na interpretação de que termos como “hemp”, “magic LSD” e “alucina” poderiam induzir o consumidor ao erro quanto à composição ou finalidade dos produtos. Mesmo sem conter canabinoides ou substâncias controladas, os nomes chamaram a atenção da agência por fazerem referência ao universo psicodélico.
A marca, que tem registro no INPI, se defende afirmando que “Hemp Vegan” é apenas o nome comercial e não indica ingrediente. Mesmo assim, optou por ajustar a identidade visual dos cosméticos para evitar novos entraves regulatórios.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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