Conversa com Bial reuniu especialistas para falar sobre cannabis, uso medicinal, efeitos no cérebro, tabus e regulamentação no Brasil.

O Conversa com Bial sobre cannabis exibido no último domingo (27) reuniu três nomes ligados ao debate sobre a planta no Brasil. Participaram o neurocientista e biólogo Sidarta Ribeiro, o jornalista Bruno Levinson e a médica Carolina Nocetti.
Durante cerca de 34 minutos, Pedro Bial discutiu com os convidados os usos da maconha, o preconceito em torno da planta, a cannabis medicinal e os diferentes caminhos adotados para sua regulamentação. A descrição oficial do programa resume o episódio como uma conversa sobre os “múltiplos empregos, tabus e interdições do uso da maconha”.
A Globo também dividiu a entrevista em três blocos: um sobre os usos e tabus relacionados à maconha, outro sobre os efeitos da planta no cérebro e um terceiro dedicado à experiência de Carolina Nocetti com cannabis medicinal.
Um dos assuntos levantados por Bruno Levinson foi o próprio uso da palavra “maconha”.
Na época, o jornalista lançava o livro Baseado em papos reais – Maconha e chamou atenção para o que definiu como um “preconceito semântico”: a resistência que ainda existe em falar abertamente sobre a planta.
Essa diferença de vocabulário também aparece fora do programa. “Cannabis” é o nome do gênero botânico, enquanto termos como maconha e cânhamo costumam indicar usos, variedades ou contextos diferentes da planta.
Assim, a escolha das palavras também revela como o tema foi tratado socialmente ao longo do tempo.
Outro momento da entrevista abordou a conhecida afirmação de que “maconha mata neurônios”.
Sidarta Ribeiro rejeitou essa simplificação e falou sobre pesquisas envolvendo canabinoides, neurogênese e formação de novas conexões neurais.
A discussão, porém, exige contexto. Dizer que cannabis não simplesmente “mata neurônios” não significa afirmar que seu uso seja livre de riscos.
Os efeitos variam conforme o canabinoide, concentração, dose, frequência, forma de consumo e características da pessoa. Idade e desenvolvimento cerebral também são fatores relevantes.
No próprio material divulgado pela Globo sobre a entrevista, o programa ressalta que a discussão não representa uma recomendação de uso da maconha por crianças e adolescentes ou por adultos pertencentes a determinados grupos de risco.
A Cannalize explica essa questão com mais detalhes no artigo sobre a ação da maconha no cérebro.
Carolina Nocetti apresentou outro recorte do debate: o uso medicinal da cannabis.
No episódio, a médica afirmou que já havia acompanhado mais de 8 mil pacientes ao longo de aproximadamente dez anos de atuação com terapias à base da planta. A Globo dedicou um dos três blocos publicados posteriormente à experiência da profissional.
A conversa ajuda a mostrar por que falar de cannabis exige separar diferentes contextos de uso.
No campo medicinal, compostos como CBD e THC podem fazer parte de produtos prescritos por profissionais de saúde. Seus efeitos, indicações e perfis farmacológicos, entretanto, não são iguais.
Para entender essas diferenças, vale consultar o guia da Cannalize sobre CBD, THC, CBG e CBN.
Pedro Bial também levou a discussão para o campo jurídico e regulatório.
O episódio mencionou habeas corpus preventivos para cultivo medicinal, modelos internacionais de regulamentação e o desenvolvimento de um mercado legal relacionado à cannabis.
Esse debate continuou avançando depois da exibição do programa. No Brasil, decisões judiciais seguem tendo papel importante no acesso de alguns pacientes ao cultivo para fins terapêuticos.
Em 2026, por exemplo, o Superior Tribunal de Justiça voltou a discutir o tema e manteve o habeas corpus preventivo como uma das vias utilizadas para proteger pacientes autorizados a cultivar cannabis medicinal.
Leia também: STJ nega direito fundamental ao cultivo de cannabis, mas mantém caminho pelo habeas corpus.
O episódio foi exibido originalmente em 27 de novembro de 2023 e permanece listado no Globoplay. A plataforma informa duração de aproximadamente 34 minutos e identifica Sidarta Ribeiro, Bruno Levinson e Carolina Nocetti como convidados.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
Inscreva-se grátis na nossa Newsletter!
Ensaio clínico testa cannabis em crianças com TEA 2 e 3
Mesmo com regulação, mercado ilegal persiste na Holanda
CFM abre consulta sobre avaliação e tratamento do TEA
Europa restringe flores e amplia foco em cannabis padronizada
Califórnia recolhe produtos de cannabis após morte em cultivo
Mike Tyson confirma presença na ExpoCannabis Brasil 2026
Copyright 2019/2023 Cannalize – Todos os direitos reservados
Solicitação de remoção de imagem
Termos e Condições de Uso