• 16 de agosto de 2022

Vamos falar do impacto da Cannabis na Saúde íntima?

 Vamos falar do impacto da Cannabis na Saúde íntima?

Foto: Pexels

As mulheres têm receptores canabinoides em endométrio, miométrio, ovários, mamas e vagina. E estudos já apontam o desequilíbrio do sistema endocanabinoide como causa de várias doenças ginecológicas.

Esse mês chega ao Brasil a linha de Cannabis voltada à saúde da mulher, da marca Foria, importada com exclusividade através da empresa Cannect. É uma linha de lubrificantes íntimos e supositórios vaginais/ retais. Como é novidade por aqui, vou explicar como a Cannabis interage em diversos aspectos do Universo Feminino. 

O uso de Canabidiol (CBD), na forma de supositórios vaginais ou retais, melhora sintomas de TPM, endometriose, menopausa e Candidíase.

Saúde Íntima

Na forma de óleo pode ser usado para lubrificação no ato sexual (procure óleos destinados a esse fim pois a mucosa vaginal é extremamente sensível a aditivos das formulações).

Quanto à relação sexual sob efeito da Cannabis (uso recreacional, inalada), um estudo com 217 participantes (133 do gênero feminino, 76 do masculino, 2 trans, 5 não informaram) registrou: 

  • 58,9% tiveram aumento de libido
  • 73,8% tiveram aumento de satisfação sexual
  • 74,3% reportaram aumento de sensibilidade ao toque
  • 65,7% afirmaram que o orgasmo foi mais intenso
  • 69,8% conseguiram relaxar mais durante o sexo
  • 50,5% conseguiram se concentrar mais
  • 38,7% disseram que o sexo foi melhor
  • 16% que foi melhor em alguns aspectos e pior em outros
  • 24,5 % disseram que em algumas vezes foi melhor
  • 4,7 % disseram que foi pior
  • Dos que reportam ter dificuldade em atingir o orgasmo, metade afirmou que a Cannabis facilitou sua obtenção
  • 54% relataram se sentirem mais auto-confiantes
  • 28,8% afirmaram aumento de lubrificação vaginal
  • A maior diferença entre os gêneros foi que 50,8% das mulheres afirmaram atingir o orgasmo mais facilmente com a Cannabis, versus apenas 29,4% dos homens.

Inibe a Cândida 

 Segundo um trabalho científico recém-publicado pela equipe do Dr. Raphael Mechoulam (considerado o pai da Medicina Canábica), o canabidiol pode funcionar como agente anti- Cândida in vitro. O CBD inibe a Cândida através de vários mecanismos: 

1- Inibe a formação de Biofilmes (estruturas que dificultam a entrada de antifúngicos na colônia e estão ligados à resistência a antimicrobianos); 

2- Rompe os Biofilmes já formados, facilitando a ação de antifúngicos convencionais;

3- Altera os genes da Cândida relacionados à formação de hifas (formas mais virulentas);

4- Rompe membrana e parede celulares da Cândida , altera suas mitocôndrias causando a morte desse fungo;

5- Quando formulações de CBD contém óleo TCM, o efeito antifúngico é aumentado devido ao Ácido Caprílico.

Alívio na TPM

Trabalhos científicos com mulheres na Menopausa, revelam que elas procuram a Cannabis para aliviar sintomas, como ondas de calor, irritabilidade, depressão, insônia, dores musculares/ articulares, secura vaginal e sintomas urinários. 

Mas faltam ensaios clínicos nesta faixa etária.

Na Endometriose um trabalho demonstrou a Cannabis no alívio de sintomas como Dor pélvica, Ansiedade, Depressão, e Insônia em pacientes com Endometriose. Diversos trabalhos mostram melhora da Síndrome do Intestino Irritável (que muitas vezes acompanha a doença).

Ovários Policísticos 

Na Síndrome dos Ovários Policísticos, o CBD reduz a Resistência Insulínica envolvida na causa da doença.

Nos cânceres de mama, colo uterino, endométrio e ovariano, trabalhos mostram que CBD torna o tumor menos proliferativo e invasivo e induz apoptose (morte programada) das células tumorais.

Por modular neurotransmissores e hormônios (Serotonina, Dopamina, Ocitocina, Cortisol)  o CBD melhora distúrbios de humor (ansiedade, depressão, irritabilidade), comuns na TPM e Menopausa.

Por ser excelente relaxante muscular, analgésico e anti-inflamatório a Cannabis alivia cólicas, dispareunia (dor na relação sexual), vulvodínia (dor no uso de tampões ou até mesmo roupas) e dores pélvicas de endometriose e doenças inflamatórias.

Alguns trabalhos mostram que a Cannabis pode reduzir a fertilidade da mulher e pode afetar o bebê (por atravessar a placenta e por ser excretada no leite materno). 

Como não existem estudos que comprovem segurança  durante a concepção, gestação e amamentação, mulheres nessas fases devem evitar o uso de produtos derivados da Cannabis.

 Referências:

DOI:10.3390/microorganisms9020441

DOI: 10.1038/s41598-020-70650-6

DOI: 10.1089/can.2020.0065

DOI: 10.1159/000499164

DOI: 10.1371/journal.pone.0258940

DOI: 10.1016/j.jsxm.2019.07.023

DOI: 10.26828/cannabis.2020.02.001

DOI: 10.1016/j.esxm.2019.01.003

DOI: 10.1093/humrep/deaa355

DOI: 10.3390/molecules27010156

Paula Reichert

Dra. Paula Reichert Leite é Médica Funcional Integrativa formada há 20 anos, com certificação pelo Institute for Functional Medicine (IFM.org- Certified MD Practitioner), Health Coach pelo Institute for Integrative Nutrition NY (IIN.org) e médica prescritora de Cannabis Medicinal. Conheceu a Medicina Canábica há 5 anos como paciente e desde então vem ajudando a desmistificar o tema. No seu Instagram "@equilibrando_sua_saude" e no seu Blog "Equilibrando Sua Saúde", ela fala sobre Medicina Funcional Integrativa e Cannabis Medicinal. Oferece consultas on-line de Medicina Canábica e Integrativa.

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