• 27 de novembro de 2020

Rivotril X Cannabis: é possível substituir? Efeitos e Comparativos

 Rivotril X Cannabis: é possível substituir? Efeitos e Comparativos

A cannabis já se mostrou eficaz para o tratamento de várias condições. Por isso, ela tem a capacidade de substituir remédios controlados como o Rivotril?

O clonazepam, mais conhecido como Rivotril, é um remédio utilizado para tratar várias condições, como transtornos psicológicos, espasmos e até crises epilépticas.

Isso porque ele tem uma ação de anticonvulsivante e relaxante muscular.

Propriedades que podem ser encontradas em fitofármacos à base de cannabis também. Então qual a diferença? Primeiro vamos entender os dois.

Rivotril

O Rivotril  é indicado para tratar ansiedade, transtornos de humor, síndromes psicóticas, entre outras condições.

É um dos remédios mais consumidos no Brasil e já foi o segundo medicamento mais comprado por alguns anos consecutivos.

Uma curiosidade é que o Rivotril é o nome de uma marca, o seu nome fármaco é clonazepam.

Segundo o Sistema Nacional de Produtos controlados da Anvisa, em 2015 a marca chegou a um número de 37,9 milhões em vendas.

O mais assombroso é que o remédio só pode ser comercializado com receita médica, por isso, há uma parcela de responsabilidade por parte dos profissionais da saúde.

Efeitos colaterais

O Rivotril carrega uma série de efeitos colaterais, que podem ser até perigosos. Eles podem atingir até 5% dos pacientes. Tais como:

  •         Sonolência e lentificação;
  •         Cansaço;
  •         Diminuição da capacidade motora;
  •         Dor de cabeça;
  •         Infecção das vias aéreas superiores;
  •         Gripe ou tosse;
  •         Vertigem ou otite;
  •         Irritabilidade;
  •         Insônia ou distúrbios do sono;
  •         Perda de equilíbrio;
  •         Náuseas;
  •         Incoordenação dos movimentos;
  •         Sensação de cabeça leve;
  •         Sinusite, Bronquite ou Rinite;
  •         Problemas de concentração;
  •         Reações alérgicas;
  •         Puberdade precoce quando administrado para crianças;
  •         Amnésia;
  •         Alucinações;
  •         Histeria;
  •         Alterações da libido;
  •         Insônia;
  •         Psicose;
  •         Despersonalização;
  •         Disforia;
  •         Instabilidade emocional;
  •         Desinibição orgânica;
  •         Inquietação;
  •         Confusão desorientação.
  •         Agressividade;
  •         Agitação e nervosismo;
  •         Ansiedade,
  •         Hipotonia, dor ou fraqueza muscular;
  •         Tontura;
  •         Ataxia são frequentes e geralmente transitórias;
  •         Dificuldade para articular a fala;
  •         Movimento anormal dos olhos;
  •         Pode haver aumento das crises convulsivas em alguns casos de epilepsia.
  •         Perda da voz;
  •         Movimentos descoordenados de braços e pernas;
  •         Tremor e perda de força de um lado do corpo;
  •         Falta de energia;
  •         Formigamento;
  •         Alteração da sensibilidade nas extremidades;
  •         Visão dupla;
  •         Palpitações;
  •         Dor torácica;
  •         Insuficiência cardíaca, incluindo parada cardíaca.
  •         Congestão pulmonar e nasal;
  •         Hipersecreção;
  •         Falta de ar;
  •         Aumento da produção de saliva;
  •         Secreção brônquica em lactentes e crianças;
  •         Perda ou aumento do apetite;
  •         Língua saburrosa;
  •         Constipação ou diarreia;
  •         Boca seca;
  •         Incontinência fecal;
  •         Gastrite ou inflamação gastrointestinal;
  •         Aumento do fígado;
  •         Gengivas doloridas ou dor de dente;
  •         Dor abdominal;
  •         Urticária, coceira e erupção cutânea;
  •         Perda de cabelo ou crescimento anormal de pelos;
  •         Inchaço na face e tornozelo;
  •         Dor nas costas ou na nuca;
  •         Deslocamentos e tensões;
  •         Dificuldade para urinar, retenção urinária ou até infecção;  
  •         Cólicas menstruais e diminuição de interesse sexual;
  •         Fadiga frequente;
  •         Embora raro, também pode acontecer a diminuição do número de plaquetas, glóbulos brancos e até anemia;
  •         Ganho ou perda de peso;
  •         Infecção viral.

Apesar de ser usado em adultos e crianças, o Rivotril pode causar dependência física e até psicológica.

Fora as contra indicações. Pessoas com um histórico de alergias a remédios anticonvulsivantes, ansiolíticos ou qualquer remédio que cause inibição no sistema nervoso, devem passar longe.

Ele também deve ser evitado por pessoas com doenças graves de pulmão, fígado, que tenha intolerância a galactose ou deficiência de lactase e até por pacientes com glaucoma agudo.

O Rivotril também não pode ser administrado por pessoas com sinais de depressão ou com pensamentos suicidas. O Álcool ou drogas também podem comprometer a eficácia do remédio.

Benefícios da cannabis para crises convulsivas

Desde 2015, quando a cannabis terapêutica foi aprovada no país, muita gente começou a aderir ao tratamento alternativo, e o número só cresce.

Segundo a Coordenação de Controle e Comércio Internacional de Produtos Controlados (Cocic), foram mais de 5.100 solicitações de importação só até o mês de junho, 4.314 a mais que o ano todo de 2015, quando as importações começaram a acontecer.

Sobretudo para o tratamento da Epilepsia Refratária, conhecida por ser resistente a medicamentos.

Isso porque a cannabis tem o que chamamos de canabinóides. Estas pequenas substâncias também são produzidas pelo nosso organismo e são elas que ajudam a restaurar muitas funções do corpo.

Quando administramos a cannabis, os canabinóides da planta podem agir como os nossos. Por isso, eles podem ir para o Sistema Nervoso Central (SNC) modulando as funções neurológicas.

Leia também: O preconceito faz com que as pessoas prefiram dar Rivotril ao filho do que canabidiol

Um canabinóide produzido pela cannabis sativa, chamado canabidiol (CBD), por exemplo, é capaz de controlar as descargas dos neurotransmissores, o que consequentemente pode reduzir tanto a intensidade das crises como a frequências delas.

Efeitos colaterais

Há casos de pacientes que relatam uma melhora já nas primeiras semanas, com uma redução cada vez menor de convulsões.

Outra vantagem é que os remédios à base de cannabis têm menos efeitos colaterais, há até quem não sinta nenhuma mudança.

Contudo, eles variam entre náuseas, diarréia, sonolência e até vômitos. Uma lista bem menor que o Rivotril, não?

Remédios à base de cannabis também não geram dependência. Eles são feitos com uma medida certa de canabinóides que não é a mesma da maconha.

Outra curiosidade é que estas substâncias são muito bem aceitas pelo organismo. Por isso, é praticamente impossível ter uma overdose.

O Rivotril pode ser substituído pela cannabis?

Se a cannabis é um tratamento mais vantajoso, então será que ela pode substituir o clonazepam?

Conversamos com a neurologista Denise Lutf Pedra da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (Sbec), que nos ajudou a entender um pouquinho mais sobre o assunto.

A primeira coisa que ela alerta é que a cannabis não é um tratamento sintomático como o Rivotril. Isso quer dizer que ele não tenta amenizar os sintomas.

“Quando usamos remédios, principalmente para dores crônicas, o que estamos fazendo é um controle de sintomas e não tratando especificamente a doença em si.”

Mas então qual o papel da cannabis?

Segundo a médica, o seu trabalho é reequilibrar o Sistema Endocanabinóide, que está prejudicando algumas funções do organismo. 

Este sistema é encontrado em várias partes do corpo e ajuda a equilibrar a homeostase, ou seja, o equilíbrio das funções. É ele envia os canabinóides através do organismo, que ajudam a regular a fome, o humor, a sistema imunológico, e muito mais.

Os canabinóides da cannabis exercem uma função bem parecida com os nossos, funcionam como uma espécie de reforço que direto ao ponto, na raiz do problema.

O processo de substituição é lento

A cannabis deve ser introduzida junto ao Rivotril. A neurologista ainda acrescenta que não se trata de trocar um medicamento pelo outro, mas passar por um longo processo de adaptação.

O fitofármaco não tem uma dose específica. Por isso, provavelmente, o médico vai indicar uma dose bem baixa.

Caso não faça muita diferença, ele vai ir aumentando até alcançar uma resposta terapêutica aceitável.

Depois que a cannabis começar a trazer resultados, o Rivotril será retirado aos poucos.

“Quando falamos da Cannabis, estamos falando de uma substância que tem baixíssimo índice de efeito colateral, não são efeitos colaterais graves como estas outras drogas, principalmente as controladas. Uma substância, que independente de tratar um sintoma, está fazendo um reequilíbrio neste organismo, onde você vai tratar várias coisas, como ansiedade, dor e etc.”

IMPORTANTE: todo este processo, desde a escolha do tratamento alternativo até a retirada do Rivotril, deve ser acompanhada por um médico.

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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