
O dia que plantaram cannabis em Chernobyl
Imagine a cena: Pripyat, uma cidade fantasma. Brinquedos esquecidos em um parque, apartamentos abandonados às pressas. No ar, um inimigo invisível e mortal: a radiação.
O desastre de Chernobyl em 1986 deixou uma ferida aberta no planeta, um lugar tão tóxico que parece ter saído de um filme de ficção científica.
Agora, e se eu te dissesse que uma das soluções para limpar essa contaminação veio de uma das plantas mais estigmatizadas do mundo? Sim, estamos falando da nossa verdinha, a cannabis. Prepare-se, porque a história de hoje vai muito além da discussão sobre legalização.
Antes de tudo, vamos entender um pouco mais sobre o tema:
Existe um processo chamado fitorremediação, de nome complicado, mas que traz uma ideia simples: usar plantas para “sugar” e remover substâncias tóxicas do solo, da água e do ar. Diversas plantas conseguem fazer isso e a cannabis, ou mais especificamente o cânhamo industrial (sua versão sem efeitos psicotrópicos), é uma especialista nessa limpeza ambiental.
O cânhamo cresce rápido, tem raízes profundas e, o mais importante, é “bioacumulador”. Ou seja, ele tem grande capacidade de absorver e armazenar metais pesados e outras toxinas do solo — incluindo elementos como chumbo, cádmio e até os amedrontadores isótopos radioativos.
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Na década de 1990, cientistas resolveram testar essa teoria no lugar mais radioativo do planeta. Eles plantaram campos de cânhamo ao redor de Chernobyl e o resultado foi surpreendente: a planta começou a absorver césio-137 e outros elementos perigosos do solo, concentrando a radioatividade em seus caules e folhas.
Ou seja, a cannabis estava, literalmente, limpando a terra do desastre nuclear.
Ao fim, essa história de Chernobyl nos mostra que a cannabis é muito mais do que um tabu. Ela é uma ferramenta poderosa e, talvez, uma esperança para um futuro mais limpo. A questão não é mais se ela tem potencial, mas se nós estamos prontos para enxergá-lo.
As colunas publicadas na Cannalize não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem o propósito de estimular o debate sobre cannabis no Brasil e no mundo. Além de de refletir sobre diversos pontos de vista sobre o tema.
Raíssa Ximenes
Médica pela Universidade Federal de Alfenas. Prescrevendo Cannabis Medicinal desde 2022, com enfoque em Saúde Mental. Vegetariana, amante da sétima arte, da boa música e de explorar o mundo. @doutorapsicannabis
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