Flextem chega ao Brasil com produtos de cannabis medicinal, controle farmacêutico, rastreabilidade e parceria com a Cannect.

Flextem chega ao Brasil com foco em cannabis farmacêutica
O mercado brasileiro de cannabis medicinal passa a contar com os produtos da Flextem Biopharma, empresa fundada no Uruguai e com atuação em diferentes países da Europa e da América Latina.
A chegada ao Brasil ocorre por meio de uma parceria com a Cannect. Segundo a empresa, a estratégia inicial terá como foco produtos de padrão farmacêutico, soluções orais e formulações com maior concentração de THC.
Fundada em 2018, em Colonia del Sacramento, a Flextem afirma ter estruturado sua operação para controlar diferentes etapas da produção. A proposta inclui rastreabilidade da matéria-prima, padronização entre lotes e acompanhamento da segurança dos produtos.
A Flextem nasceu com o objetivo de desenvolver produtos à base de cannabis que seguissem procedimentos semelhantes aos adotados pela indústria farmacêutica.
Além do Uruguai, a companhia informa que já possui presença em mercados como Alemanha, Reino Unido, República Tcheca, Portugal, Panamá e Costa Rica.
Agora, a empresa considera o Brasil um dos principais mercados de sua estratégia de expansão, especialmente para soluções administradas por via oral.
De acordo com a Flextem, a decisão de entrar no país também está relacionada à procura por formulações com maior concentração de THC.
O THC, ou tetrahidrocanabinol, é um dos principais canabinoides presentes na planta. Sua utilização medicinal depende de avaliação profissional, definição adequada da dose e acompanhamento do paciente.
“Identificamos uma população considerável de pacientes que não encontra tratamentos adequados entre as opções atuais”, afirma a empresa.
Os produtos Flex-Duo C5 T0.5 (com 50mg/ml de CBD e 5mg/ml de THC) e BalanFlex (com 27mg/ml de THC e 25mg/ml de CBD) estão disponíveis no marketplace da Cannect, mediante receita médica.
Entre os principais diferenciais apresentados pela Flextem está o controle vertical da produção. Isso significa que a empresa acompanha diferentes etapas, desde o cultivo da planta até a fabricação do produto final.
Segundo a companhia, esse modelo ajuda a reduzir variações na concentração dos componentes entre diferentes lotes.
Para médicos e pacientes, essa previsibilidade pode facilitar o acompanhamento do tratamento. No entanto, a resposta clínica também depende de fatores individuais, como diagnóstico, dose, forma de administração e interação com outros medicamentos.
A empresa informa trabalhar com três conjuntos de boas práticas internacionais:
A Flextem também afirma possuir registros de exportação concedidos pelo Ministério da Saúde Pública do Uruguai.
Além disso, a companhia declara ter flores com maior concentração de THC registradas no país como produtos finais. Essa classificação, segundo a marca, permite maior controle sobre a composição e a identificação de cada lote.
A Flextem pretende ampliar a produção de evidências sobre suas formulações. Para o segundo semestre de 2026, a empresa planeja iniciar três estudos clínicos.
Os projetos deverão abordar:
A companhia também afirma negociar estudos observacionais com instituições de saúde brasileiras.
Esses projetos ainda estão em fase de planejamento. Portanto, não representam, neste momento, comprovação de eficácia das formulações para essas condições.
Estudos clínicos avaliam aspectos como segurança, tolerabilidade, dose e possíveis efeitos terapêuticos. Já os estudos observacionais acompanham pacientes em situações de atendimento real, sem necessariamente interferir no tratamento escolhido pelo médico.
Outro ponto da estratégia brasileira será o custo por miligrama de canabinoide.
A Flextem afirma ter realizado análises de farmacoeconomia para comparar o preço de suas formulações com outras opções disponíveis. Segundo a empresa, os produtos com maior concentração de THC poderão apresentar um custo por miligrama mais competitivo.
A marca, porém, ainda não informou preços, apresentações ou condições de compra no Brasil.
Nos próximos cinco anos, a Flextem pretende ampliar seu portfólio e desenvolver novos sistemas de administração. A empresa também planeja aumentar sua presença no mercado brasileiro ao lado de parceiros locais.
Para a companhia, a combinação entre controle produtivo, padronização e pesquisa pode contribuir para ampliar a confiança de médicos e pacientes nos tratamentos com cannabis.
No Brasil, a introdução do portfólio será realizada em parceria com a Cannect, plataforma que atua no acesso a produtos e tratamentos com cannabis medicinal.
De acordo com a Flextem, a aproximação ocorreu por causa de interesses comuns relacionados à educação médica, à conformidade regulatória e ao atendimento dos pacientes.
A Cannect ficará responsável por apoiar a disponibilidade e o alcance dos produtos no mercado brasileiro.
Para a empresa uruguaia, a parceria também deverá ajudar na apresentação da marca aos profissionais de saúde e aos pacientes que já utilizam ou avaliam iniciar tratamentos com canabinoides.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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