• 25 de junho de 2022

Cannabis Medicinal no tratamento de depressão pós-parto

 Cannabis Medicinal no tratamento de depressão pós-parto

”Você vive nove meses com essa pequena pessoa dentro de você. Vocês vão a todos os lugares juntos. Você nunca esta sozinha. A pequena pessoa começa a se mover, soluçar e chutar você. Você conhece essa pequena pessoa. Ele faz parte de você.”

“Então, ele acabou de sair. Você esta sozinha. Parte da sua alma acabou de ser arrancada do seu corpo e você nunca vai recuperar. Sim, posso segurar meus filhos, ouvir a batida do coração deles, mas eles não são mais uma parte física de mim. Para mim, isso trouxe uma onda esmagadora de solidão, abandono e vergonha que eu nunca poderia ter previsto. Me senti no inferno.” Explica uma mãe que pediu para não expor seu nome, durante uma entrevista a High Times.


Essa é apenas uma das numerosas experiências que as mulheres sofrem durante a depressão pós-parto. Sentimentos de depressão, tristeza, ansiedades e outras emoções físicas e mentais podem se prolongar e amplificar, interrompendo a sua vida e às vezes até a capacidade de cuidar de si mesmas.

O Instituto Nacional de Saúde Mental explica que não há uma causa única por DPP (Depressão Pós-Parto). Uma combinação de fatores, tanto físicos quanto emocionais, é provavelmente a causa.

Nota-se que a DPP não é provocada por nenhuma ação ou falta dela pelo paciente. Os Sintomas de DPP são bastante amplos, podendo dificultar o diagnóstico. Alguns sinais podem variar de falta de apetite a sentimentos de auto-mutilação.

O uso da Cannabis pode ajudar no tratamento?

A mãe que foi entrevistada anteriormente relatou como ela lutava contra a depressão desde a adolescência e tomava remédios desde o ensino médio. Ela disse que estava com medo de parar com a sua medicação, que inclui de 80 a 90 mg de Fluoxetina por dia e que tomou durante as duas gestações.

“Parar de tomar os remédios, foi como voluntariamente entrar em momentos atormentadores, sem saber se voltaria ao normal novamente. Me sentia como se estivesse no inferno várias vezes.” Ela recebia 20 mg durante a gravidez.

Depois do nascimento, ela voltou a tomar Fluoxetina e adicionou alguns outros. Depois que os médicos começaram a prescrever Oxidona e Di-hidrocodeína ela decidiu se afastar e, em vez disso, chamou um amigo que trouxe maconha para ela.

Ela relatou os efeitos beneficentes de cannabis em seu corpo. Isso inclui o alívio das dores físicas causadas pela cesariana de emergência. Os sintomas de depressão pós-parto começaram a diminuir também.

”Isso tirou o grande peso que estava sobre meu peito, finalmente, tive algum avanço. Eu poderia estar presente e desfrutas de momentos com minha nova família. Eu não era mais uma poça de lagrimas sem valor” disse ela.


Uma análise de 2013 do uso de drogas durante o pós-parto e sintomas depressivos, levantou alguns estudos em volta do assunto. Ela também aponta que ainda não foram feitos estudos específicos sobre o uso de drogas no pós-parto e depressão.

“Parei de fumar quando eu descobri que eu estava gravida, mas depois tive muitas dificuldades”, explicou outra mãe em uma entrevista que pediu para não ser identificada.

Ela relatou que sentia uma série de emoções relacionadas a depressão e ansiedade. Enquanto cuidava do primeiro filho, ela decidiu voltar ao uso de cannabis. “Quando meu filho estava com 3 meses, comecei novamente a relaxar a noite… ajudou tremendamente com ansiedade, sono e humor” disse a mãe.

Ela disse que com a primeira criança ela também teve cólica, com isso ela acredita que estava mais calma por consumir cannabis.

Apesar de o uso de cannabis ainda ser debatido por profissionais da medicina, a mãe disse que ela formou sua decisão baseada em estudos realizados em aldeias jamaicas.

O que dizem os profissionais da saúde?

Os profissionais da área médica não vão aderir essa prática no momento. Kevin Gilliland, Psy.D, Diretor-Executivo da unidade de tratamento ambulatorial Innovation 360, ofereceu uma solução alternativa para aqueles que concordam com a ideia.

“O que sabemos e confiarmos é que o THC ou o CBD inalado ou ingerido, acabarão no leite materno. Portanto, se você ainda estiver amamentando, não vale a pena arriscar e talvez precise mudar a fórmula se quiser usar o CBD como um auxilio no tratamento da depressão pós-parto.”

O Dr. Gilliland descreveu como dois métodos tradicionais de assistência médica são feitos com sucesso hoje em dia.

Cerca de 70% dos pacientes encontram benefícios terapêuticos com medicamentos, enquanto ele afirma que o aconselhamento tem mostrado resultados ainda melhores a longo prazo.

Ele também apontou suas desvantagens. “A desvantagem para ambos é que leva um tempo para obter os efeitos benéficos, e é aí que o CBD pode mostrar alguma promessa. Em pequenos estudos e clínicas, parece mostrar respostas bastante rápidas.E quando se trata de depressão pós-parto, precisamos de uma resposta rápida, pois, também se trata do bebê”.

A Dra. Patricia Frye é diretora médica da HelloMD e pode ser mais conhecida por trabalhar com Kim Kardashian West em seu chá de bebê com tema CBD.

A Dr. Frye também é diplomata do Conselho Americano de Pediatria, membro da Sociedade de Clínicos de Cannabis, entre vários outros títulos dignos de reconhecimento.

Ela reconheceu alguns métodos de tratamento com Cannabis, mas afirmou que a mãe não está amamentando.

Ela ressaltou que a Cannabis não é a única parte da solução. ”Além de usar cannabis, é muito importante que o paciente esteja sob os cuidados de um profissional de saúde mental. Se ela estiver amamentando, eu recomendaria apenas o uso de cannabis se todos os outros tratamentos conhecidos por serem seguros para recém-nascidos não forem o suficiente.” disse ela.

O Dr. Gilliland também apoia uma abordagem variada para o tratamento da DPP. Nós nos saímos melhor quando procuramos melhorar muitas áreas e é assim que devemos pensar sobre o CBD se estivermos considerando que ele ajuda na depressão pós-parto.

“É apenas mais uma coisa que estou fazendo. Cometemos um grande erro quando fazemos uma coisa e esperamos que ela faça mais do que pode.” declarou ele.

Como a maioria das condições de saúde mental, o júri discute a eficácia da cannabis como tratamento, beneficente ou não.

Cada caso é diferente, e todos os que consideram a cannabis como tratamento devem consultar primeiro seus profissionais médicos.

Referências:

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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