• 27 de junho de 2022

Cannabis não é assunto pra dar pitaco; estude antes de falar

 Cannabis não é assunto pra dar pitaco; estude antes de falar

Pode soar meio arrogante esse papo de mandar as pessoas estudarem antes de opinar sobre alguma coisa. Mas, gente, convenhamos, é o mínimo. Principalmente quando o assunto envolve saúde, como é o caso da Cannabis.

Faço parte de diversos grupos sobre Cannabis e medicinas da floresta, como ayahuasca e rapé, onde também ocorrem discussões sobre o uso ritualístico da planta, e é tanta desinformação que eu não sei nem por onde começar.

Tem a desinformação clássica da ignorância daqueles que estão presos nos argumentos do governo Nixon, tem os preconceituosos espiritualistas e suas crenças, tem os religiosos e tem os bem intencionados, porém com um conhecimento distorcido, defasado ou emocionalizado.

O que todos têm em comum é a chance de minar o início da terapia canábica de alguém que realmente está precisando.

Esses dias, vi um post falando sobre como os defensores da Cannabis não levavam em consideração que a planta pode desencadear surtos psicóticos em pessoas com ansiedade.

É tanto equívoco numa única explanação, tanto de quem tá se achando o manjador do assunto quanto quem defende o uso indiscriminado por ser natural. É por isso que a gente precisa redobrar a atenção em tudo que a gente lê.

Primeiro que generalizar a Cannabis é pura ignorância. Existem centenas de tipos de Cannabis, inclusive para serem usadas no tratamento da ansiedade, que é o caso das plantas com altas taxas de canabidiol e baixas taxas de THC, o princípio psicoativo, que, no caso, seria o alvo da critica lacradora fuderosa de quem quer falar mal da Cannabis e não sabe como.

Segundo que não é porque é uma planta que seu uso deve ser feito de forma indiscriminada e aleatória. Pelo contrário.

Cada doença ou distúrbio é tratada com uma cepa diferente para atender as necessidades daquela patologia, e isso pode mudar durante o tratamento e até mesmo mais de um tipo de Cannabis ser necessária como complemento.

Então, não é porque a Cannabis é natural que tá beleza indicar aquele óleo do fulano que planta sei lá onde. Até chá de camomila em excesso faz mal.

Portanto, entendo o entusiasmo, mas pega leve, galera. Chumbo amigo dói demais. Precisamos considerar o solo plantado, a forma de extração do óleo e outros detalhes que, dependendo da doença, pode até agravar.

Imagina você oferecer um óleo cheio de metais pesados a um amigo que está se tratando com quimioterapia.

A situação da Cannabis no país ainda é superdelicada. A nossa maior ferramenta de atuação contra o preconceito é a informação.

A internet está recheada de estudos científicos, há diversos sites hoje especializados em trazer informações de qualidade, como o Cannalize, há grupos de discussão, cursos gratuitos, não tem desculpa.

Então, antes de se meter a médico prescritor de Cannabis nas redes sociais, dá um Google. Ajude efetivamente a pessoa que busca informação para começar uma terapia canábica adequada, porque isso é possível inclusive para quem não tem grana pra desembolsar 250 dólares num vidrinho de óleo.

O acesso ainda é um dos maiores entraves, mas com um olhar mais cuidadoso é possível sim não sair por aí oferecendo qualquer opção.

Essa planta já foi muito desonrada e seu uso distorcido. Depende de quem reconhece seu poder a lapidação de um novo momento da Cannabis no país.

Então, sem achismos. Sem pitaco. Pega a barrinha de busca e mete um: “Cannabis no tratamento de xxxx” e search! Aí senta o dedo no post que quer opinar.

Mas se ainda tiver dúvidas por onde começar, recomendo dar uma olhada nas matérias aqui do Cannalize, na seção Tratamentos. Aqui você vai encontrar estudos sobre como tratar diversas doenças e distúrbios. O Google Acadêmico também é uma fonte interessante de informação. Acesse e comece suas pesquisas.

Panaceia Canábica

Caroline Apple é jornalista, publicitária e idealizadora e apresentadora do projeto Namastreta, onde aborda temas como política, religião, ciência e diretos humanos pelo olhar da espiritualidade e do autoconhecimento. Trabalhou em veículos como Folha de S.Paulo, Agora SP, R7 e UOL. Foi repórter do Sechat, onde adentrou para o universo da cannabis. Hoje atua como ghostwriter de textos sobre Cannabis Medicinal e gerencia as redes sociais de empresa do ramo. É uma entusiasta da planta e de todo o seu potencial terapêutico, além de acreditar no cânhamo como o futuro da indústria como uma forma de aliviar o planeta de processos insustentáveis, como o uso do petróleo.

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