Revista científica The Lancet aponta falta de evidências robustas para o uso da cannabis em ansiedade e depressão, reacendendo o debate médico sobre eficácia e pesquisa.

The Lancet questiona eficácia de cannabis para depressão
Um estudo recente publicado na revista The Lancet Psychiatry chamou a atenção da comunidade médica. Isso porque concluiu que ainda não há evidências robustas para o uso da cannabis medicinal em ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
A análise foi repercutida por veículos como Veja e CNN Brasil. Além disso, revisou uma série de estudos clínicos disponíveis até o momento. Como resultado, apontou limitações importantes na qualidade das evidências.
Segundo a revisão, muitos estudos têm poucos participantes. A mediana foi de 31,5 pessoas. Além disso, a duração média ficou abaixo de cinco semanas.
Outro ponto relevante é a grande variação entre os estudos. Por exemplo, há diferenças nos tipos de canabinoides, nas doses e nas vias de administração. Também variam os perfis dos pacientes analisados.
Por isso, fica difícil chegar a conclusões definitivas. Especialmente quando se trata de condições psiquiátricas complexas.
Na prática, isso significa cautela. Embora existam relatos positivos, a base científica ainda é limitada. Portanto, diretrizes médicas mais conservadoras tendem a exigir mais evidências.
Para o diretor médico da Cannect, Rafael Pessoa, o estudo não deve ser visto como um ponto final. Pelo contrário, ele funciona como um alerta metodológico.
“Esse estudo do Lancet Psychiatry não invalida o uso de canabinoides de forma generalizada, mas reforça a necessidade de estudos mais robustos em algumas condições específicas da psiquiatria. Para essas interpretações, a revisão reuniu estudos com mediana de 31,5 participantes e duração média de 4,98 semanas, o que evidencia uma limitação importante do campo: tentar responder perguntas complexas com estudos pequenos, curtos e baseados em formulações muito heterogêneas.”
Segundo ele, o avanço da área depende de ensaios clínicos mais consistentes. Ou seja, estudos capazes de isolar variáveis e produzir evidências mais sólidas.
“No entanto, como há grande variabilidade entre canabinoides, doses, vias de administração e perfis de pacientes, evidências de mundo real bem desenhadas podem ganhar cada vez mais destaque. Dessa forma, conseguiremos entender melhor a efetividade, a segurança e quais perfis de pacientes têm maior chance de benefício.”
O debate evidencia uma tensão conhecida. De um lado, estão os relatos clínicos e a experiência de pacientes. De outro, está a necessidade de validação científica rigorosa.
Ainda assim, o estudo da The Lancet Psychiatry não invalida a prática clínica. No entanto, ele reforça que o campo ainda precisa evoluir. Principalmente na padronização e na produção de evidências de alta qualidade.
A tendência é de avanço nos próximos anos. Novos estudos devem incluir mais participantes e protocolos mais definidos. Além disso, dados de mundo real devem ganhar relevância.
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Por fim, o uso da cannabis na saúde mental segue em construção. É uma área promissora, mas que ainda depende de mais evidências científicas.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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