• 30 de julho de 2021

5 maneiras que a cannabis afeta o corpo

 5 maneiras que a cannabis afeta o corpo

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A cannabis pode influenciar várias partes do nosso organismo, desde a mente até as cordas vocais. Será que você já sabia alguma dessas?

Já se perguntou por que  a cannabis ajuda em tantas condições? Até o momento, já foi comprovado a sua eficácia contra dores crônicas, esclerose múltipla, epilepsia refratária e até enjoos causados pela quimioterapia

Tratamento alternativo até mais eficaz que os tradicionais, diga-se de passagem. Sem contar que estudos sobre Alzheimer, Parkinson e outras condições também são exploradas pelo mundo todo. 

Atualmente ela é usada até como suplemento por atletas para prevenir dores e regular o chamado Sistema Endocanabinoide por onde ela atua. 

O que é isso?

Para continuar com este artigo, é necessário entender o que é este sistema. Trata-se de um mecanismo que funciona a nível molecular e que está presente em todos os vertebrados. O seu trabalho é de regular os funcionamentos do corpo.

Se uma pessoa está com febre, por exemplo, o sistema produz os chamados canabinoides, moléculas capazes de atuar na temperatura para que volte ao normal. 

Imagem: Istock

O sistema endocanabinoide percorre todo o organismo, e pode influenciar o sono, a fome, a memória, a resposta imunológica e por aí vai. 

A cannabis também possui canabinoides e até hoje é a planta que mais possui as substâncias já encontradas, por isso que ela pode ajudar tanto. 

Por isso, por mais que você esteja usando a planta para objetivos diferentes, é bem possível que ela influencie outras questões do corpo, seja ela fumada, vaporizada ou em óleo. Confira algumas reações que talvez você nem sabia.

5. A larica não engorda

Talvez você esteja achando essa afirmação um pouco estranha, mas vamos explicar melhor. O que chamamos popularmente de “larica”, é a conexão de algumas moléculas da cannabis com os receptores do apetite do nosso corpo.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada em 2019 e publicada no International Journal of Epidemiology, comparou o Índice de Massa Corporal (IMC) de 30 mil usuários de maconha, com pessoas não fumantes.

O resultado foi que os consumidores da erva apresentavam uma taxa bem menor de obesidade que pessoas que não fumavam. 

Quando a maconha é inalada o tetrahidrocanabinol (THC), principal canabinoide que gera os efeitos psicoativos da planta, se conecta com os receptores do sistema nervoso central que controlam a fome e o apetite.

Isso confunde o cérebro, ele não entende que já estamos satisfeitos e a fome vem mesmo quando se acaba de comer.O canabinoide também pode desencadear um surto de um hormônio chamado grelina, mais conhecido como hormônio da fome.  

Por si só ela não engorda, pois a sua influência é apenas dentro da mente. Por mais que o indivíduo sinta fome, esse é um comportamento do cérebro e não uma necessidade do corpo.

A reação provocada pela larica pode ser usada para estimular a fome em pessoas com condições como AIDS e câncer, por exemplo. As terapias destas condições podem causar uma série de efeitos colaterais, como falta de apetite ou falta de prazer pela comida.

4. Pode até ajudar a emagrecer

Sim, é isso mesmo. Pelo menos é o que diz um estudo revisado, que foi feito em animais em 2014. 

Ele sugere que um outro canabinoide menos conhecido, o tetrahidrocanabivarin (THCV) pode suprimir o consumo de comida e o peso corporal. Tanto que em países legalizados ele é usado para controlar o apetite

Esse canabinoide é geralmente usado como um suplemento totalmente natural para a perda de peso, o que pode ser uma ajuda ao combate do aumento da obesidade nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos com o problema.

Além disso, muitos especialistas defendem que esses efeitos sobre o apetite podem regular os níveis de açúcar no sangue de pacientes diabéticos.

3. Substituir memórias ruins

Esse tipo de benefício da planta é muito usado para tratamento de Transtorno Pós-Traumático (TEPT), pois ajuda na recuperação. 

Atualmente não existe nenhuma medicação efetiva disponível para portadores de TEPT, mas com novas descobertas nos sistemas terapêuticos dos nossos corpos, as pesquisas têm descoberto outras formas para entendê-la.

Um investigador de TEPT e Cannabis da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (MAPS) chamado Martin Lee, estudou TEPT e Cannabis profundamente.

Foi descoberto que pessoas com TEPT tinham níveis inferiores de Anandamida, comparados com aqueles que não são portadores de TEPT.

Inato em todos os mamíferos a Anandamida (podemos chamar de nossa cannabis interna) desencadeia os mesmos receptores que são ativados por THC e outros componentes da planta Cannabis.

Em outras palavras, um pilar de TEPT é uma deficiência de canabinoide: o corpo para de produzi-los para o preenchimento suficiente dos principais receptores.

Ao restabelecer essa falta de canabinoides, os pesquisadores acreditam que os produtos farmacêuticos da maconha podem oferecer alívio aos portadores de TEPT e em suas memórias.

2. Influência nos sonhos

A planta pode inibir os seus sonhos e também pode te fazer sonhar até demais. Ela pode até determinar se o sonho será bom ou ruim. 

Pesquisas medindo as ondas cerebrais através de um eletroencefalograma mostram que uma pessoa que consome cannabis com alto teor de THC, ou seja, mais comumente fumam a erva, tende a não sonhar, mas dorme de forma mais relaxada. 

Isso porque os efeitos da planta aumentam o sono profundo no estágio 4 e diminuem os sonhos no estágio REM.

Já as reações do Canabidiol (CBD) são um tanto quanto curiosas. Embora os efeitos ainda não sejam completamente compreendidos, parece que há uma influência de acordo com a dosagem.

Se, por exemplo, o consumidor ingerir doses elevadas, o CBD pode aumentar o tempo dos sonhos, isso já no dia em que é administrado. Mas se por acaso a dose for média, o REM pode diminuir a partir do segundo dia.

Quem usa canabidiol relata que os seus sonhos são afetados significativamente. Os depoimentos mais frequentes são a maior clareza dos sonhos e das lembranças dele, assim como uma maior frequência de sonhos positivos.

1. O THC pode ser detectado no leite materno

De acordo com a revista jAMA Pediatrics, um estudo acompanhou 25 novas mães que tinham um histórico de uso da cannabis. No final, sete dessas mulheres se abstiveram de cannabis para os fins da pesquisa.

Depois de testar as amostras de leite, sangue e urina das mulheres, os pesquisadores descobriram que todas as participantes ainda tinham níveis detectáveis de THC em seu leite materno seis semanas após parar de consumir a cannabis. 

Bônus: Impacto da cannabis na voz

Um estudo recente concluiu que o uso da cannabis pode ter um impacto negativo em nossas vozes. 

O estudo foi publicado no Journal of Voice, e conduzido pelo Dr Robert T. Sataloff, professor e presidente do Departamento de Otorrinolaringologia. O objetivo era avaliar se o uso de cannabis tinha algum efeito explícito na voz do usuário. 

Aproximadamente 42% disseram que “fumar a substância produziu alterações imediatas na voz” e 29% acreditam que o uso de cannabis tem um efeito de longo prazo na voz.

Para profissionais de alto nível, como cantores de ópera, a intoxicação ou alteração na função cognitiva por qualquer causa, pode alterar o controle motor fino e resultar em lesões na voz. Isso vale tanto para a cannabis quanto para o álcool

 

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Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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