• 28 de junho de 2022

Tratamento de Leucemia Linfoblástica com Cannabis Medicinal

 Tratamento de Leucemia Linfoblástica com Cannabis Medicinal

Um estudo de caso mostrou que a cannabis tem o poder de agir diretamente na raiz do problema, matando as células ruins.

Um menino de 14 anos tinha um tipo de leucemia chamado Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), e já tinha feito tratamentos intensivos de quimioterapia, radioterapia e até transplante de medula, mas nada deu certo.

Foi então que em 2013 a família começou a inserir o  óleo de cannabis de forma oral. O resultado foi uma redução expressiva das células malignas. A história dele virou um estudo de caso que foi até publicado em uma revista científica.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são mais de 10 mil casos de linfoma por ano no Brasil, matando cerca de 4 mil pessoas. Ele também é a sexta principal causa de câncer no país.

Quanto mais rápido a doença for diagnosticada, mais há chances de remissão. De acordo com uma pesquisa da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) 32% dos diagnósticos de linfoma foram feitos em exames de check-up, sem apresentar nenhum sintoma.

Casos de leucemia chegam a mais de 10 mil também, com uma prevalência maior em homens que em mulheres. No entanto, as chances de morrer de leucemia são preocupantes. 

Segundo o Inca, há uma alta taxa de mortalidade, quase quatro mil em homens e um pouco mais de 3 mil em mulheres.

Tanto o linfoma quanto a leucemia são cânceres que aparecem nas células do sangue. O linfoma é um tipo específico que só acontece em algumas células dos glóbulos brancos, já a leucemia, pode ocorrer em várias células dos glóbulos brancos da corrente sanguínea.

Já a Leucemia Linfoblástica (LLA) Aguda é um tipo de câncer nos glóbulos brancos do sangue, que na maioria das vezes é tratado com a quimioterapia e a radioterapia. 

Seguindo o tratamento, a probabilidade de uma criança ficar bem novamente, é de 94%, já um adulto, de 30% a 40%.

Células cancerígenas do linfoma linfoblástico são chamadas células jovens, chamadas de linfoblastos. Se mais de 25% da medula óssea é formada por estes linfoblastos, a doença é tratada como LLA, e não mais como linfoma.

Como a cannabis funciona neste tratamento?

Já falamos aqui que a cannabis tem o poder de matar células cancerígenas, informação que foi admitida pelo Instituto Americano do Câncer, dos Estados Unidos. No caso da leucemia Linfoblástica Aguda, é a mesma coisa.

O efeito nas células neoplásicas, ou também conhecidas como células defeituosas, acontece por causa de um sistema chamado Sistema Endocanabinóide. Ele ajuda a manter o equilíbrio de várias funções do organismo, como fome, humor e sistema imunológico.

A ação do sistema nas células neoplásicas, que foi descoberto há pouco tempo, tem despertado uma curiosidade na comunidade científica, pois podem interferir diretamente na causa do problema.

Quando alguma função não vai bem, é o Sistema Endocanabinóide quem avisa que algo precisa ser feito. É aí que entra os famosos endocanabinóides, substâncias que ajudam a regular as funções do corpo. 

Se há uma enxaqueca, por exemplo, são os endocanabinóides que são envidados para restaurar o equilíbrio.

No entanto, há a possibilidade de não produzirmos endocanabinóides suficiente, condição que pode acontecer por vários motivos. Sem ninguém para avisar que algo está errado, a falta deles pode resultar em várias condições.

CBD e THC: O uso dos canabinóides

Felizmente podemos repor com canabinóides externos, eles são chamados de fitocanabinóides e encontrados em plantas. 

A cannabis tem uma variedade de canabinóides, mas os mais famosos são o canabidiol (CBD) e o tetra-tetraidrocanabinol (THC).

O nível maior de canabinóides no corpo pode interferir no microambiente imunológico relacionado ao linfoma, ou seja, os canabinóides têm o poder de alterar a área, inibindo a proliferação de células consideradas ruins além de induzir a morte delas.

O THC e o CBD têm mostrado efeitos positivos no tratamento das leucemias.  A combinação dos dois funciona como agentes quimioterápicos, capaz de sensibilizar as células para um efeito chamado Citotoxicidade, isso quer dizer que ele influencia as células a destruírem outras células.

Isso provoca a destruição das células defeituosas, além de um outro fenômeno nas próprias células, chamado de apoptose, ou o “suicídio” delas.

Por causa destes efeitos, estudos têm mostrado que o CBD e THC, além de outros tipos de fitocanabinóides tem impedido a progressão de tumores e a redução da massa tumoral em câncer de pulmão, próstata, cólon, mama entre outros.

Efeito sinérgico

É importante lembrar que o uso da cannabis não quer dizer o abandono de nenhum tratamento quimioterápico ou radioterápico, pois neste caso, a cannabis vai agir como uma ajuda para o tratamento.

É o efeito conjunto de ambos os métodos, convencional e alternativo, que vão gerar os resultados esperados, principalmente em pacientes que não estavam respondendo ao tratamento de forma satisfatória.

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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