• 24 de junho de 2022

O que as mulheres grávidas precisam saber sobre o uso da cannabis

 O que as mulheres grávidas precisam saber sobre o uso da cannabis

Cercado de tabus, preconceitos e diferentes opiniões, o uso da Cannabis na gravidez é um tema que continua gerando debates e pesquisas científicas há anos. 

Há um grupo no facebook chamado Pot Smoking Moms Who Cuss Sometimes. Muitos dos seus mais de 4.855 membros veem a cannabis como uma ferramenta natural para controlar muitas doenças e condições que acompanham a gravidez e maternidade, desde a doença da manhã até a ansiedade e depressão pós-parto. Outras mães no grupo, enxergam a cannabis como uma maneira de relaxar e se conectar com outras pessoas que também compartilham as mesmas ideias.

Em muitas lugares do Estados Unidos, esses dois usos são legais. Atualmente, nove estados e Washington DC permitem o uso de cannabis recreativa, e em 29 estados ela é legalizada para o uso medicinal. Mas só pelo fato da planta não causar punição por lei, não significa que seja uma opção segura para todos, especialmente grávidas e mães que amamentam.

Em janeiro de 2018, a NPR (uma organização de comunicação social) desmentiu a suposição de que cannabis durante a gravidez é aceitável apenas porque a cannabis é ”natural.” O THC, composto intoxicante da cannabis, pode atravessar a placenta e causar prejuízo para o bebê no útero, segundo os pesquisadores. Estudos também mostraram que o uso da cannabis durante a gravidez pode causar problemas no desenvolvimento cerebral do bebê, causar queda do peso e aumentar o risco de natimortos (a morte de um feto após 20 semanas de gestação).

Ainda assim, muitas mães que sofrem com náuseas, dor ou ansiedade durante a gravidez se sentem mais confortável com soluções não farmacêuticas. Se o THC é o que causa perigo para as mulheres grávidas, o CBD, um composto não intoxicante da cannabis, pode ser uma alternativa segura?

O uso de CBD durante a gravidez

Como o CBD, um dos 80 canabinóides químicos da planta cannabis, não causa efeitos eufóricos associados a cannabis, mas ainda poderia apresentar alguns dos benefícios da cannabis por causa da maneira que ele interage com os receptores o cérebro.

Estudos clínico mostraram que o CBD, que geralmente é aplicado em óleos ou oralmente através das tinturas, é terapeuticamente útil para controlar ansiedade e depressão, dor crônica, insônia, e até convulsões. Existem também evidências de que o CBD pode ser efetivo no controle de vômitos e náuseas, o que geralmente é comum na gravidez.

Apesar desses benefícios e da recente legislação que torna legal em alguns estados, a cannabis ainda é um medicamento do anexo I, o que quer dizer que não é regulamentada e aprovada pela FDA Administração de Alimentos e Medicamentos para segurança e eficácia. Por esta razão, é melhor que as mulheres optem por não utilizar até que a gravidez e a lactação chegue ao fim.

O que dizem os especialistas?

A Dr. Talitha L. Bruney, diretora médica pelo Centro de Atenção Integral à Família, Departamento de Obstetrícia e Ginecologia e Saúde da Mulher no Sistema de Saúde disse que, apesar dela reconhecer os benefícios clínicos do CBD, a ausência da regulamentação do governo é uma razão pela qual o Congresso Americano aconselha os ginecologista a não recomenar o uso de canabinoides durante a gravidez.

Portanto, embora, o próprio CBD possa ser terapeuticamente eficaz para certas condições, a falta de regulamentação, significa que não há como garantir que o que você coloca em seu corpo é seguro, tanto para você quanto para o desenvolvimento do bebê.

”Não há nenhum regulamento em que a dosagem seja apropriada ou qual forma de distribuir, seja o correto, e não há formulações padronizadas,” segundo o site Brit + Co.. ”como nada disso existe, as pessoas a tomam em diferentes formas e doses.”

A ausência da aprovação da FDA também lembra a falta testes clínicos para CBD, em geral, e como isso afeta as mulheres grávidas e seus bebês, disse Bruney. Por causa da sua recente legalização, os benefícios da cannabis medicinal e sua segurança tem sido comum nas discussões da mídia, mas não há dados o suficiente para determinar se é uma opção segura para gestantes.

“Muitas das informações científicas que surgiram são sobre convulsões ou esclerose múltipla, então não são específicos quando se trata de gravidez,” disse ela. ” Até agora, há potencial em termos de outros benefícios terapêuticos da cannabis, mas não existe dados o suficiente para mulheres grávidas.”

A falta de testes clínicos com os dados que mostraram que os canabinoides podem ser prejudiciais para as mães e os bebês, significa que o potencial medicinal não é o suficiente para descartar os riscos.

”Por causa da escassez de informações, é recomendado que as mulheres recorrem a medicamentos aprovados  ou alternativas cientificamente seguras para certas condições.” disse Bruney.

Portanto, embora o CBD possa não ter efeitos imediatamente graves, assim como é improvável que um copo de vinho durante a gestação prejudique o feto, não há como saber a quantidade mais segura.

Se você estiver preocupada com sua saúde física e mental durante a gravidez, procure conversar com seu médico, que pode recomendar algo seguro e natural e na dosagem certa.

Lembrando que a cannabis é proibida no Brasil, salvo para uso medicinal mediante a autorização judicial e a importação só pode ser feita com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Referências:

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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