• 27 de junho de 2022

O CBD pode ser um tratamento para Ovário Policístico?

 O CBD pode ser um tratamento para Ovário Policístico?

Foto: Freepik

Embora os estudos ainda sejam insuficientes, a cannabis pode ser uma alternativa, uma vez que ela interage com a região pélvica. 

A cannabis tem sido útil para uma série de condições femininas, como cólica, endometriose e até câncer de colo de útero. Ela funciona de várias maneiras, desde a redução de inflamações a proteção das células. Por isso, entenda como ela pode influenciar em casos de ovários policísticos.

A chamada Síndrome de Ovários Policístico (SOP) afeta cerca de 6% a 12% das mulheres em idade fértil. Trata-se de alterações hormonais que podem resultar no acúmulo de cistos nos ovários. 

Embora não haja estudos suficientes que provem que a cannabis pode servir de tratamento, a planta tem sido uma alternativa natural por causa das suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e por interagir com a região pélvica. Entenda. 

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Mas o que é Ovário Policístico? 

O organismo naturalmente produz os chamados folículos, que permanecem no corpo até a mulher ovular. Contudo, o processo deixa de ser normal quando vários deles ficam acumulados e não liberam os óvulos. 

A causa mais frequente do mau funcionamento da ovulação, a presença destes cistos pode alterar a regularidade da menstruação, aumentar a acne e em casos graves, até obesidade e infertilidade. 

Como saber se tenho ovários policísticos? 

É importante destacar que o cisto nos ovários e ovários policísticos não são a mesma coisa. A diferença está na quantidade e no tamanho das substâncias. 

Alguns estudos indicam que o problema pode ser hereditário, filhas e irmãs de mulheres com SOP têm 50% mais chances de desenvolver ovários policísticos. 

Contudo, o diagnóstico é feito através de exames clínicos e laboratoriais, além do histórico do paciente. Embora, alguns sinais precisem de atenção, como: 

  • Menstruação irregular;
  • Obesidade;
  • Infertilidade;
  • Pelos em lugares que não deveriam estar;
  • Acne;
  • Queda de cabelo em excesso;
  • Oleosidade do couro cabeludo;
  • Manchas escuras no pescoço e axilas.

Quem tem ovários policísticos sente dor ou engorda?

Como na maioria das doenças, o corpo também responde que algo não está bem. E no caso da síndrome, também não há como escapar das dores. 

Trata-se de dores na área pélvica. Elas se parecem com desconfortos menstruais e podem aparecer também durante o sexo. 

E o sobrepeso?

Como dito acima, a obesidade é um sintoma frequente. O que significa que a síndrome pode sim levar ao sobrepeso. Inclusive, pacientes que possuem a condição, podem ter dificuldades para emagrecer.  

Isso acontece devido às alterações hormonais, que resultam no acúmulo de gordura. 

Contudo, o problema pode levar a outras complicações além do aumento de peso, como problemas no fígado, diabetes tipo 2, riscos cardiovasculares, hipertensão e até colesterol.  

Quem tem síndrome do ovário policístico pode engravidar?

Essa é uma das principais dúvidas das mulheres, principalmente porque a síndrome atrapalha o percurso do óvulo até o espermatozoide. Sem contar que a doença pode causar infertilidade. 

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Contudo, mulheres com SOP ainda podem ovular, mesmo que o processo não seja regular. Por isso, é importante usar métodos contraceptivos, caso não queira engravidar. 

Por outro lado, para quem tem dificuldades para engravidar por causa da condição, há tratamentos que podem ser úteis. 

Como por exemplo, a ingestão de medicamentos que estimulam a ovulação. Em casos extremos, a fertilização in vitro também pode ser uma opção. 

A condição pode causar câncer ou levar à morte?

Infelizmente a Síndrome de Ovário Policístico pode aumentar em até três vezes as chances do desenvolvimento de câncer em alguma parte do útero, principalmente no endométrio, camada que envolve o útero e é descartada durante a menstruação. 

Uma vez que o câncer decorrente da condição não é tratado, ele pode sim levar à morte. Contudo, não há informações que indiquem a morte somente pela síndrome. 

O que trata ovário policístico?

A síndrome é crônica, o que significa que não há cura, apenas o tratamento contínuo ao longo da vida.

Contudo, o tratamento vai variar de acordo com uma série de fatores, como os sintomas apresentados, a intensidade da condição e até se a paciente pretende engravidar.

Para adolescentes, por exemplo, apenas a adoção de anticoncepcionais para regularizar os hormônios já pode ser o suficiente. 

Já para mulheres que pretendem ter filhos, induzir a ovulação é o ideal. Para todos os grupos que sofrem com dores, a indicação de remédios para o alívio da SOP também é indicado. 

Tratando com a cannabis

Para entender como a cannabis pode ser útil, é necessário entender como ela funciona no organismo. 

Ela trabalha através do chamado Sistema Endocanabinoide, um sistema presente em quase todo o corpo. Ele ajuda a manter o equilíbrio de várias funções para manter a chamada homeostase. 

Quando alguém está com febre, por exemplo, através de receptores, ele envia canabinoides que ajudam a restaurar a temperatura corporal. 

A cannabis também possui canabinoides, que podem interagir com os nossos receptores da mesma forma. 

Cannabis para ovário policístico

De acordo com um estudo publicado em 2015, mulheres com SOP possuem um aumento na proteína C reativa (PCR), além de citocinas inflamatórias. O que sugere que a condição é inflamatória. 

O Canabidiol (CBD) possui poderosas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, que podem ser úteis para a desinflamação e principalmente para o alívio da dor. 

Pane no sistema 

Porém, muitas vezes, a Síndrome de Ovário Policístico pode estar ligada ao mau funcionamento do Sistema Endocanabinoide, o que pode gerar problemas no sistema reprodutor. 

A ciência já descobriu que um dos tipos de receptores, conhecido como CB1, está localizado também no hipotálamo, área do cérebro que o hormônio GnRH é produzido. Na desordem hormonal da síndrome, ele é bastante produzido. 

Então, a presença de canabinoides na região pode inibir a sua liberação, o que consequentemente, suprime a produção de hormônios que estimulam os folículos. 

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Outro receptor conhecido como CB2 também é encontrado, até em quantidades maiores, no folículo ovariano, o que mostra que a cannabis pode agir de forma direta. 

Outras vantagens

Além do mais, a cannabis também é capaz de diminuir a dor sem causar tolerância analgésica, o que possibilita o uso por um longo tempo. 

Outro benefício no tratamento é que o CBD é antiansiolítico, ideal para tratar os sintomas de SOP. 

De acordo com uma pesquisa realizada em  2005, o bloqueio do receptor pelo CBD, diminui a transferência de aminoácidos de alanina em mulheres com a síndrome. 

A pesquisa clínica foi feita em 50 mulheres obesas que sofrem com a condição e indica que o CBD pode ainda, eliminar os sintomas da síndrome de ovários policísticos e restabelecer a homeostase. 

Ressalvas

Por outro lado, é preciso ter cautela. Os estudos feitos até agora, apresentam resultados insuficientes. 

Assim como os canabinoides da planta podem servir como inibidores, é possível que a alta quantidade também provoque problemas como:

  • Diminuição da concentração de hormônios sexuais;
  • Interrupção do ciclo menstrual;
  • Atraso na maturação sexual;
  • Diminuição da fertilidade feminina.

De acordo com uma outra pesquisa publicada em 2009, a alta quantidade de canabinoides pode ser um fator de risco para o surgimento da síndrome, pois pode causar resistência à insulina ou obesidade. 

Consulte um médico

É importante ressaltar que qualquer produto feito com a cannabis precisa ser prescrito por um médico, que inclusive, poderá indicar qual o melhor tratamento para a sua condição.

No caso dos produtos à base de cannabis, eles ainda precisam ser prescritos em receita azul do tipo B.

Caso precise de ajuda, disponibilizamos um atendimento especializado que poderá esclarecer todas as suas dúvidas, além de auxiliar desde a prescrição até a importação do produto. Clique aqui.

 

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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