O Canabidiol é um dos compostos presentes na planta cannabis. Mas afinal, ele pode ser considerado uma droga?
Falar sobre maconha, seja por qualquer que seja a finalidade, gera polêmicas e várias opiniões contrárias. Na maioria dos casos, a intolerância vem devido a falta de informações sobre o tema e por uma cultura já enraizada na sociedade.
O fato da erva ser ou não uma droga, por exemplo, é mais um assunto que acarreta contradições. A grande complicação é que pela grande variedade de substâncias presentes na cannabis, fica até injusto criar rótulos para ela.
O que exemplifica isso são os mais de 120 canabinoides encontrados na planta, muitos com finalidades diferentes. Dos mais conhecidos, o Canabidiol (CBD) e o Tetrahidrocanabinol (THC), se destacam justamente por apresentarem características distintas.
Para entender se o CBD se enquadra nesse rótulo, primeiro é necessário conhecer o significado de droga e das próprias funções deste canabinoide.
Segundo o Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), droga é “qualquer substância que é capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento”.
Culturalmente, é comum associar a palavra “droga” a substâncias proibidas por lei e reprovadas por boa parte da sociedade. Porém, como diz a definição, ela pode ser qualquer composto com a capacidade de ocasionar mudanças físicas e comportamentais no corpo humano.
Ambos os casos se enquadram no conceito, porém, pela legalidade determina na lei, elas são divididas em drogas lícitas, como é o caso dos remédios e de bebidas alcoólicas, e ilícitas, como a maconha e a cocaína.
Além da legalidade, as drogas também são classificadas de acordo com as suas ações no organismo.
Muitas das substâncias são denominadas de psicotrópicas, ou seja, que atuam no sistema nervoso central (SNC), causando tolerância, dependência e abstinência em seus usuários, de acordo com a quantidade ingerida e o tempo de uso.
Dentro delas, existem as seguintes classificações:
Também chamados de drogas perturbadoras, são substâncias que modificam a atuação da atividade do cérebro, causando delírios e alucinações.
Alguns compostos como o ecstasy, o LSD, os cogumelos e a maconha (devido ao teor de THC), estão dentro dessa categoria.
As drogas antipsicóticas se caracterizam pelos seus efeitos sedativos e psicomotores, além de serem usados como anestésicos.
Nessa classificação estão muitos remédios, como Clorpromazina, Aripiprazol, Risperidona, Haloperidol etc.
Compostos que agem, principalmente, no restabelecimento de funções emocionais do corpo, como o humor, tristeza, angústia e o sono. Na maioria dos casos, eles são utilizados no tratamento de transtornos depressivos.
Esses medicamentos são divididos em nove partes:
– Inibidores seletivos de serotonina
– Inibidores seletivos de noradrenalina
– Inibidores seletivos de serotonina e noradrenalina
– Inibidores seletivos de dopamina
– Inibidores de monoaminoxidase
– Antidepressivos tricíclicos
– Antidepressivos tetracíclicos
– Antidepressivos melatoninérgicos
– Antidepressivos serotoninérgicos
Sertralina, Reboxetin, Bupropiona, Fluoxetina e Amitriptilina são exemplos de remédios enquadrados nesta lista.
São compostos por substâncias que aumentam as atividades motoras e cognitivas, reforçam a atenção e, em muitos casos, proporcionam a sensação de euforia.
As drogas estimulantes mais famosas são a cocaína, a anfetamina e alguns produtos para emagrecimento, conhecidos de derivados anfetamínicos.
O Canabidiol, diferente do THC, não gera a famosa “brisa” da maconha, por não ter propriedades alucinógenas em sua composição. Ele apresenta, principalmente, características anti-inflamatórias e analgésicas.
Portanto, o CBD é sim uma droga, não no sentido de causar problemas futuros para o organismo, mas sim como um tratamento medicinal alternativo para várias doenças e distúrbios.
Inclusive, ao contrário dos remédios mais tradicionais, ele não causa grandes efeitos colaterais.
Apesar de a cannabis em si não ser legalizada em solo brasileiro, se engana quem pensa que não é permitido se tratar com o Canabidiol no país.
O CBD é considerado um produto controlado e pode ser adquirido através de importações, associações e, dependendo do composto, em farmácias, na qual já existem 15 produtos canábicos regulamentados no Brasil.
Vale lembrar que para realizar a compra de um desses produtos, é necessário uma prescrição de um médico especializado.
Para entender melhor sobre esse processo, clique aqui.
Gustavo Lentini
Jornalista e produtor de conteúdo da Cannalize. Apaixonado por futebol e pela comunicação.
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