• 27 de outubro de 2021

Menos de 1% dos médicos prescrevem cannabis no Brasil

 Menos de 1% dos médicos prescrevem cannabis no Brasil

Metade deles estão concentrados em São Paulo e no Rio de Janeiro, fazendo pacientes e profissionais recorrerem à telemedicina.

A cannabis medicinal é difundida aos poucos no Brasil. Além disso, ela foi vista como um vilão por muito tempo, os estigmas que carrega tornam o processo ainda mais lento.

Preconceitos que são carregados até de profissionais da área, que descredibilizam as propriedades medicinais da planta.

Segundo o último levantamento demográfico de 2018, o Brasil tem mais de 460 mil médicos. No entanto, menos de 1% deles são capacitados para prescrever cannabis.

Outra dificuldade é o acesso de médicos e clínicas canábicas no país. A maior concentração de profissionais em geral está no Sudoeste, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. O mesmo acontece para profissionais da linha canábica.

Telemedicina: Solução temporária ou permanente?

Com a pandemia e médicos afastados dos consultórios, o “novo normal” transformou-se em consultas online.

Método que consequentemente permitiu o atendimento de mais pacientes e em mais estados, não só São Paulo e Rio de Janeiro.

A tendência de atendimentos por meio das telas do celular ou do computador não é de hoje. Vários convênios e clínicas particulares têm adotado o método há alguns anos.

Primeiro via chat, para tirar dúvidas, e agora, por videochamadas, como se estivessem no consultório.

Considerando o número reduzido de médicos que prescrevem cannabis, é uma ótima solução para quem quer começar um tratamento com a planta, por exemplo.

Como no caso de um consultório particular em São Paulo, que nasceu este ano atendendo exclusivamente por meio de videoconferência.

O co-fundador da Medicina In, Darwin Ribeiro, conta que a opção de abrir uma clínica inteiramente online não foi por conta da pandemia, mas pela necessidade de tornar os médicos mais acessíveis.

A mudança de hábitos causou certa resistência entre pacientes, principalmente os mais velhos. No entanto, passar pela experiência tem mudado muitas cabeças.

“Alguém que mora em São Paulo, por exemplo, está acostumado a ir ao médico e não gostaria de escolher a telemedicina. Mas uma vez que realizam o procedimento, acham fácil, conveniente e tão bom quanto.” Ressaltou.

Especialização em cannabis

Ribeiro conta que há médicos de várias especialidades, mas que também conhecem o Sistema Endocanabinoide.

O sistema está presente no corpo humano e é responsável pelo equilíbrio de várias funções do organismo, como fome, humor, sono, sistema imunológico e nervoso.

É por meio dele que a cannabis atua. Um profissional que conheça o seu funcionamento, está apto para prescrever cannabis medicinal.

“O primeiro objetivo de ter médicos que são formados em Sistema Endocanabinoide, é que a gente acha que todos deveriam ter esta formação. (…) Uma clínica médica que olha o paciente como um todo.” Ressalta.

Aos poucos, o sistema está sendo introduzido nas faculdades.  Algumas federais como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ou a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, (UFRN), por exemplo.

Elas já implementaram o Sistema Endocanabinoide em suas grades em cursos de medicina e farmacologia.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), colocou a matéria até no curso de veterinária.

Preço

Geralmente os preços das consultas variam, dependendo do médico, da disponibilidade e também do lugar.

Uma consulta com o mesmo médico em um bairro mais humilde, por exemplo, pode ser diferente do valor pago pela classe média.

Isso pode ser ainda mais discrepante se tratando de consultas com profissionais que prescrevem cannabis, por causa da escassez de profissionais.

Por isso, em consultas online há um valor fixo, que pode ser um fator determinante para quem precisa.

“Aqui é um valor fixo. R$250,00 por consulta, independentemente da especialidade ou da prescrição de cannabis” acrescentou Darwin Ribeiro.

Apesar de mais acessível, o grande desafio ainda está em exames clínicos, que precisam do toque ou de uma visão mais minuciosa.

Apesar do problema ainda sem solução, a telemedicina é um caminho sem volta.

Tainara Cavalcante

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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