• 28 de junho de 2022

Introdução da Cannabis Medicinal nas Universidades Brasileiras

 Introdução da Cannabis Medicinal nas Universidades Brasileiras

Arte: Dr. Banz

Hoje, já é possível ver matérias sobre as propriedades medicinais da planta em algumas universidades do país, ou cursos extracurriculares abertos ao público e a tendência é crescer

As propriedades medicinais da Cannabis têm ganhado, cada vez mais, notoriedade na medicina. 

Aos poucos, a planta têm sido introduzida no meio acadêmico, primeiro por artigos, depois algumas matérias e agora, até cursos voltados especificamente para estudos sobre a planta.

Arte: Dr. Banz

Cenário mundial

Em Israel, por exemplo, o berço da cannabis medicinal no mundo moderno, a Max Stern Yezreel Valley College tem uma especialização de cannabis, voltado para o curso de Ciências Comportamentais.

Nos Estados Unidos, há uma faculdade voltada exclusivamente para a cannabis. A Oasksterdam foi fundada em 2007 e é a primeira no mundo com essa abordagem. Os cursos variam de técnicas de cultivo, história, política e muito mais.

A Universidade de Maryland, também nos Estados Unidos, tem um programa de mestrado que fala sobre a planta.

A Scuola Italiana della Canapa, na Itália é outra que promove diversos cursos de cannabis, eles são voltados para a agronomia e uso medicinal.  

Outro país que não poderia ficar de fora é o Canadá, a Universidade Politécnica Kwantlen tem até um curso voltado para o desenvolvimento de negócios de cannabis.

Ainda há um grande número de países que já introduziram a cannabis no meio acadêmico, mas falemos do Brasil.

Cursos de cannabis no Brasil

Ainda que o Brasil seja conservador e pouco aberto às propriedades terapêuticas da planta, algumas das universidades brasileiras também já estão ensinando sobre cannabis medicinal.

Uma delas é a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, (UFRN), que criou um curso voltado para estudantes e profissionais da saúde, sobre o uso terapêutico da cannabis.

Os cursos eram esporádicos, com pedidos isolados de pacientes, até chegar na sala de aula de uma vez. Hoje, no currículo da faculdade, ele tem o foco em doenças epiléticas e dores crônicas, além de falar sobre a história da planta ao longo dos anos.  

E não só no estado, mas os alunos de biomedicina, farmácia e medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), já tem a matéria de cannabis em suas grades. Ela serve para capacitar os profissionais terapêuticos para usar a cannabis na profissão.

A matéria chamada “Sistema Endocanabinóide e Perspectivas Terapêuticas da Cannabis Sativa e seus Derivados” foi aprovada com unanimidade pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e é optativa.  Ela oferece perspectivas históricas, jurídicas e médicas da planta.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também oferece cursos sobre cannabis, tanto EAD, quanto em parcerias com entidades, como o curso realizado na Paróquia do Padre Ticão na zona leste.

A Unifesp também promove estudos sobre a planta. É através do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicos (Cebrid), que a universidade promove informações e descobertas sobre cannabis.

Pesquisas e Desenvolvimento

A cannabis também é fonte de pesquisas para várias pesquisas no Brasil. A Universidade Pública de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, tem até um Centro de Endocanabinóide, que se dedica a pesquisas exclusivamente voltadas para a planta.  

É a USP também que mais tem pesquisas sobre canabidiol no mundo, estudos que começaram lá na década de 1980.

Foi também em conjunto com a universidade que a farmacêutica Prati-Donnaduzz desenvolveu  o primeiro remédio à base de canabidiol que hoje está disponível nas farmácias.

Outras Universidades do país também investem em pesquisas sobre a planta. No final do ano passado (2019), a Universidade Federal de Viçosa (UFV) começou um estudo inédito para melhorar a qualidade do canabidiol por meios genéticos.

A pesquisa é em parceria com a associação Abrace, que no ano passado (2019), era a única entidade com autorização de plantio.

Há pesquisas até para dependência química. Andrea Gallassi, da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) de Ceilândia no DF, está realizando uma pesquisa sobre o uso do CBD para tratar a dependência de crack.

O estudo conseguiu uma autorização da Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) para importar o extrato e testá-lo. Ele começou o ano passado e já mostrou alguns resultados positivos no humor e no apetite dos pacientes.

Este ano, um grande estudo, talvez o maior já feito aqui, irá testar a cannabis no tratamento mental dos profissionais da saúde que estão na linha de frente da COVID-19.  A pesquisa será realizada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nos próximos meses, e já tem a autorização do comitê de ética da universidade.

Algumas universidades privadas também já estão introduzindo a cannabis em suas redes de cursos e grades curriculares.

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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