• 21 de junho de 2021

Desmistificando o THC: herói ou vilão?

 Desmistificando o THC: herói ou vilão?

Para quem acha que o THC só provoca as reações negativas, está redondamente errado.

Todo mundo que já procurou saber sobre a cannabis medicinal pode ter ouvido que o canabidiol (CBD) é bom e o tetra-tetraidrocanabinol (THC) é o vilão da história. Mas será que é isso mesmo?

O canabidiol(CBD) ficou conhecido pelas suas propriedades terapêuticas com poucos efeitos colaterais, e principalmente, por não gerar reações alucinógenas. 

Hoje, o canabinóide está presente em grandes porcentagens na maioria dos remédios feitos à base de cannabis e é o composto mais conhecido.

No entanto, não devemos nos esquecer do THC, que também é importante. Dele também podem ser feitos medicamentos e também está presente em pequenas quantidades nos remédios de canabidiol.

Os canabinóides produzidos pela planta, podem imitar a função dos nossos, quando entra no organismo. O tetra-tetraidrocanabinol pode interagir com o Sistema Nervoso Central, e apesar de alguns efeitos que podem ser negativos quando mau administrado, ele também tem muitos pontos positivos, que por vezes, são encobertos pelo preconceito.

Efeitos do THC

Os efeitos do THC são conhecidos por gerar resultados rápidos, mas que desaparecem depois, como relaxamento, sonolência e alívio na dor. Contudo, o canabinóide também pode produzir efeitos a longo prazo, que ajudam no tratamento de diversas doenças, como:

  •         Dor neuropática e crônica
  •         Insônia
  •         Náuseas
  •         Inflamação
  •         Artrite
  •         Enxaqueca
  •         Câncer
  •         Fibromialgia
  •         Alzheimer
  •         Esclerose múltipla
  •         Glaucoma
  •         Déficit de atenção
  •         Melhora do apetite

No entanto, é importante lembrar que cada pessoa tem uma genética única, por isso, os canabinóides podem agir de formas diferentes. Se para uns há maiores resultados com o CBD do que o THC, é recomendado que use o canabidiol ou vice versa.

Porém, nem tudo são flores. Há estudos que mostram que consumidores ativos podem ter a memória prejudicada a longo prazo. Isso porque o THC pode provocar alterações anatômicas no cérebro, o que pode diminuir as funções cognitivas.

Infelizmente o THC também pode acelerar os batimentos cardíacos, e acelerar os pensamentos, o que pode levar a crises de ansiedade.

Preconceito

A rejeição ao THC está diretamente ligada ao preconceito à maconha, que ainda está na lista de drogas pesadas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente há algumas reuniões sendo feitas na ONU sobre isso, para que haja uma revisão sobre essa definição, mas nada conclusivo ainda.

Há pesquisas que mostram que algumas tragadas ao mês não fazem mal para os pulmões e não há evidência que o fumo cause câncer. A associação do cigarro queimando e a fumaça saindo da boca, levam a crer nos efeitos negativos pelo tabaco, crack e outras drogas pesadas.

É importante entender também que, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, não há riscos de overdose, uma vez que a cannabis se interage e se adapta ao corpo.

Efeito Entourage

Como dito lá em cima, o THC pode ser usado junto com o CBD ou até mesmo outros canabinóides menos conhecidos. Alguns medicamentos à base de canabidiol levam pelo menos, 0,3% de THC e há um propósito para isso.

Os canabinóides juntos têm uma eficiência diferente do que quando usados separados. As pesquisas mostram que unidos, podem chegar a uma potência 10 vezes maior.  Isso é chamado de Efeito Entourage, Sinergia ou Efeito de Comitiva.

Sem contar que o CBD tem o poder de inibir os efeitos negativos do THC e ainda, prolongar a ação terapêutica.

Outras formas de consumir o THC

O tetra-tetraidrocanabinol foi o primeiro canabinóide a ser isolado em 1964. Na sua forma bruta, ele não causa reações alucinógenas, apenas quando é exposto a altas temperaturas, como quando “queimado” no cigarro.

A forma “fumada” também pode ter efeitos positivos, tanto para a depressão quanto para o tratamento das dores. No entanto, não é a forma mais aconselhada, quando se trata de usá-la como tratamento

Ferramentas, como vaporizadores talvez seja uma opção mais saudável. Eles mantêm altas temperaturas para extrair o THC, mas de forma controlada, para não liberar toxinas na queima.

Ele também pode vir em forma de extrato, junto ao CBD. Alguns medicamentos, como o Mevatyl, têm porcentagens do canabinóide que podem chegar a 50%.

 

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Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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