• 27 de junho de 2022

THCP e CBDP: Conheça os novos potentes canabinóides descobertos

 THCP e CBDP: Conheça os novos potentes canabinóides descobertos

A medida que as pesquisas sobre cannabis vem crescendo, a complexidade química e o potencial da planta estão se tornando cada vez mais aparente.

No início de 2020 um grupo de pesquisadores italianos anunciou a descoberta de dois novos canabinóides conhecidos como THCP (tetra-hidrocanabiporol) e CBDP (canabidiphorol). Se esses nomes te lembra o THC e o CBD, é porque eles são similares em suas estruturas e funções.

Atualmente, cerca de 1500 fito canabinoides foram detectados na planta cannabis, mas poucos têm sido isolados e estudados a fundo. Embora isso acontece devido às razões legais.

A Cannabis ainda é ilegal ao nível federal nos Estados Unidos, tornando as pesquisas complicadas ou complexas. Isso ocorre também porque a maioria das variedades de maconha é dominante em THC e CBD, tornando os estudos de canabinóides menores, desafiador.

Contudo, isso está mudando, a Espectrometria de ponta que é usada para identificar componentes desconhecidos na cannabis e técnicas analíticas e avançada, estão permitindo a identificação de novos compostos da cannabis.

O grupo de pesquisadores que realizaram essa pesquisa, trabalharam duro no perfil de cannabis e identificou novos canabinóides, o THCP e o CBDP no ano anterior.

Além de serem familiares com a planta e seus inúmeros canabinóides, o descobrimento de novos canabinóides também possuem implicações terapêuticas.

Neste caso, todas as afirmações estão apontando para o THC se tornando um potencial divisor de águas.

THCP: O que acontece quando você aprimora a capacidade do THC?

Os pesquisadores descobriram que a nova molécula THCP tem em sua estrutura uma cadeia lateral alongada, com sete elos. Em comparação, o THC que possui cinco.

Foi comprovado que essa diferença no comprimento da estrutura desempenha um papel importante nos efeitos que o THC exerce sobre os receptores CB1 no corpo. É necessário no mínimo três ligações para ligar o THC ao receptor do copo e uma afinidade nessa ligação para atingir um pico de oito ligações antes que ele comece a diminuir novamente.

A cadeia lateral alongada do THCP tem uma afinidade ainda mais forte para o receptor CB1 do que o THC comum, ou seja, ele pode trabalhar com mais potência.

Quando os pesquisadores observaram a afinidade de ligação do THCP aos receptores CB1 e CB2 humanos, eles descobriram que o THCP era 33 vezes mais ativo que o THC comum no receptor CB1 e 5 a 10 vezes mais ativo que o THC comum no receptor CB2.

E o CBDP?

Como o THCP, o CBDP também possui uma estrutura mais longa de sete elos, em vez de cinco elos. De acordo com os pesquisadores do estudo, no entanto, embora a investigação sobre a atividade anti-inflamatória, antioxidante e anti epilética do CBDP esteja em andamento, atualmente não é uma prioridade.

Por quê? Como já foi estabelecido que o CBD tem uma baixa afinidade de ligação com os receptores CB1 e CB2 , é provável que uma estrutura mais longa ajude o CBDP a se ligar de maneira mais eficaz aos receptores do corpo.

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De acordo com os pesquisadores, a ciência pode conter grandes surpresas, e pesquisas futuras podem provar que o CBDP ocultou potência ou qualidades terapêuticas das quais atualmente não temos conhecimento.

Quais são as implicações dessas descobertas?

Uma implicação descoberta por estudos, é que o THCP poderia explicar por que a maconha pode provocar experiências incomuns nos consumidores. Como os pesquisadores se esforçaram para enfatizar, existe uma variedade de respostas de um indivíduo diante das terapias baseadas em cannabis, mesmo com doses iguais de THC.

Apesar de sempre pensarmos que os efeitos psicotrópicos da planta são causadas principalmente pelo THC, também podem ser atribuídos ao THCP ou outros canabinóides extremamente potentes que ainda não foram analisados. O ideal seria aprofundar nosso conhecimento sobre os efeitos farmacológicos do THCP para nos ajudar a avaliar melhor os efeitos dos extratos de cannabis nas pessoas.

Outra implicação que o estudo sugere é a necessidade de cultivar espécies de cannabis que não dominam o THC ou o CBD.
A pesquisa genética em cannabis avançou aos trancos e barrancos nos últimos anos, e as cepas que produzem quantidades maiores de canabinóides menores, como CBDV, CBG e THCV, estão se tornando mais disponíveis.

Em breve, as variedades de maconha ricas em outros canabinóides menores, como o THCP, poderão seguir o exemplo.
O cultivo de cepas ricas nesses canabinóides menores podem facilitar a produção do extrato desses compostos, permitindo que os consumidores desfrutem dos benefícios do perfil farmacológico específico de cada composto.

Geralmente, os autores do estudo afirmam que é necessário realizar um perfil químico abrangente da cannabis.
A identificação de canabinóides menores e atualmente desconhecidos pode oferecer riquezas terapêuticas que têm o potencial de transformar ainda mais os medicamentos.

Referências:

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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