• 21 de junho de 2021

Cannabis reduz o consumo de álcool e tabaco, segundo estudos

 Cannabis reduz o consumo de álcool e tabaco, segundo estudos

Nas pesquisas, as pessoas que utilizavam o extrato da planta tinham menos compulsão a utilizar as substâncias.

Não vamos mentir, a maconha pode causar vícios. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o abuso da planta em forma de cigarro pode causar dependência leve ou moderada.

Contudo, alguns estudos mostraram que ela também pode ser um importante aliado no combate aos vícios. A princípio parece um paradoxo, certo? Mas os estudos dizem outra coisa. 

Drogas lícitas 

Já falamos aqui que a cannabis pode ser um importante aliado no combate à dependência química. Testes clínicos mostraram uma redução considerável no uso de substâncias como crack e heroína. 

Em novembro de 2020 um  estudo clínico da University College London, no Reino Unido, ainda mostrou que substâncias da planta podem combater o vício da própria maconha.

E recentemente, a planta também demonstrou uma eficácia na dependência de drogas lícitas também, como álcool e tabaco. 

Álcool

O álcool é uma das drogas lícitas mais consumidas no mundo e no Brasil está no topo da lista.

Segundo um levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mais da metade dos brasileiros já consumiram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez na vida e aproximadamente 2,3 milhões apresentaram compulsão.

O tratamento geralmente varia desde mudar os hábitos até a adoção de medicamentos para o controle da ansiedade causada pela abstinência. 

Contudo, parece que a cannabis pode ser um tratamento alternativo.  Pelo menos é o que dizem algumas pesquisas, como uma recentemente publicada a revista Psychology of Addictive Behaviors.

Ela mostrou o benefício do Canabidiol (CBD), componente da planta que não gera efeitos alucinógenos, na redução da compulsão pelo álcool. 

Foram 120 voluntários divididos por grupos, que utilizaram a planta com mais CBD ou tetrahidrocanabinol (THC)e até a mistura dos dois. 

Os dados que mostraram um consumo menor de bebidas alcoólicas por dia e uma efetiva redução ao longo do tempo foi do grupo de indivíduos que ingeriram concentrações maiores do canabidiol. 

Embora o THC, principal componente da maconha não tenha mostrado alterações significantes assim como o CBD, ela também foi alvo de outros estudos.

Em outra pesquisa desenvolvida por universidades do Colorado, foram analisados  96 voluntários que participavam de um programa de tratamento de abuso de álcool. 

A utilização leve ou pesada da cannabis resultava em uma menor quantidade de álcool no dia em que era utilizada. A conclusão do estudo foi que a redução foi de aproximadamente 29%.

Tabaco 

Ainda segundo a pesquisa da Fiocruz, a segunda droga ilícita mais usada no Brasil também tem um número alto de dependentes. Os dados apontam 4,9 milhões de pessoas com um vício considerado elevado, sem contar níveis mais leves de dependência.

Mas a cannabis também se mostrou positiva. Segundo uma pesquisa clínica publicada pelo Journal of Substance Abuse Treatment, quase metade dos pacientes que utilizaram  extrato da planta relataram uma redução no consumo de tabaco e nicotina.

Pesquisadores do Canadá e Estados Unidos avaliaram taxas relatadas por 650 pessoas que descreveram as suas compulsões antes e depois da cannabis medicinal. 

Cerca de 49% dos voluntários que utillizaram a planta como terapia relataram uma  menor compulsão pela nicotina. E os resultados apareceram de forma rápida, 25% deles não fumaram durante os últimos 30 dias. 

Um dado curioso é que a maioria das pessoas desse grupo tinha mais de 55 anos e a vontade de parar de fumar. 

Dados anteriores de pesquisas sobre o assunto no Reino Unido já mostravam um resultado positivo. Em estudos com o canabidiol e placebos já mostraram uma melhora significativa nos pacientes que utilizaram a planta como terapia. 

Foto: Stock

Como funciona

Embora pareça exagerado ou surreal, a cannabis funciona de forma bastante lógica no organismo. Entenda:

O nosso cérebro funciona com um sistema de recompensa, onde estão concentrados os estímulos de prazer. Estes, por sua vez, são responsáveis por mandar as sensações para o resto do corpo.

As drogas têm a capacidade de causar uma influência gigante nesta área, e o uso contínuo faz o corpo querer cada vez mais, perdendo o interesse em outros prazeres ou funções, como comer.

A cocaína, por exemplo, pode agir como um facilitador das descargas dos neurotransmissores na fenda sináptica do cérebro, ou seja, após o efeito da droga nesta área, acaba acontecendo um esgotamento destes transmissores, que estão ligados ao comportamento compulsivo.

A cannabis pode ser útil porque o nosso corpo possui um sistema chamado Sistema Endocanabinoide, ele trabalha a nível celular ajudando a regular alguns efeitos do nosso organismo, como a fome, sono e humor.

Quando os canabinoides da cannabis entram no nosso corpo e interagem com os nossos, chamados de endocanabinóides, juntos podem recuperar o equilíbrio, fazendo as coisas voltarem ao normal. Ele vai reduzindo gradativamente a compulsão pelos efeitos químicos porque auxilia na regularização dos neurotransmissores.

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Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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