Brisadeiro: comestíveis de cannabis fazem mal?

Brisadeiro: comestíveis de cannabis fazem mal?

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Conheça os cuidados na hora de ingerir produtos à base de cannabis

Brisadeiro: comestíveis de cannabis fazem mal?
Foto: Freepik

Você provavelmente já ouviu falar do “brisadeiro”, não é mesmo? O doce nada mais é do que um brigadeiro com um ingrediente inusitado: cannabis.

Também chamado de “brigaconha”, “brigadeironha” e “brigadeiro mágico”, o doce é conhecido por promover a famosa “alta” sem precisar inalar ou fumar a planta. Embora demore um pouco mais para fazer efeito, os resultados são mais duradouros e intensos.

Apesar de não ser legalizado no Brasil, o “brisadeiro” nada mais é do que uma das centenas de formas de consumir cannabis na comida, o que chamamos de comestíveis de cannabis, que incluem diversos tipos de produtos, entre eles as gummies terapêuticas.

Comestíveis de cannabis 

A cannabis pode ser inserida em quase todo tipo de comida ou bebida. O uso pode variar nas mais diversas comidas doces ou salgadas, servindo de tempero ou ingrediente principal. 

Em geral, são produzidos para conter níveis altos de THC (tetrahidrocanabinol), um tipo de canabinoide que gera os efeitos da alta da maconha, como o “brigadeiro mágico”.

O óleo de CBD (canabidiol) também pode ser misturado em diversos alimentos, tanto para o uso medicinal quanto para uma alimentação e um estilo de vida saudáveis.

Os comestíveis de cannabis podem ser úteis no tratamento?

Sim. Atualmente há empresas de cannabis medicinal que fabricam a substância dosadas em gummies, por exemplo, que são úteis para tratamentos em que o paciente já sabe qual a dose ideal para a sua condição.

Ou então para ajudar pacientes com TEA (Transtorno do Espectro Autista) que tem dificuldade em aceitar certos tipos de remédio, seja pelo formato ou pelo sabor. 

Efeitos da cannabis na comida (e no brisadeiro)

É importante ressaltar que os efeitos dos comestíveis são diferentes de outros tipos de manejo, como a vaporização, por exemplo. Geralmente, a ingestão de produtos à base de cannabis não deixa os olhos vermelhos e precisa de mais tempo para apresentar os efeitos. 

Embora demore mais para fazer efeito, as sensações podem ser mais longas e intensas.

Sem passar pelo processo de combustão, os comestíveis de cannabis ainda podem ser uma opção para a redução de danos, evitando o aquecimento das vias aéreas. 

Como são feitos os comestíveis de cannabis como o “brisadeiro”?

Para virar parte da receita, a cannabis só vai funcionar se for diluída em algum tipo de gordura e no caso das bebidas, por infusão

Outro ponto importante, é que ela não serve “crua”, mas precisa passar pela chamada descarboxilação, ou seja, para que os canabinoides sejam ativados, eles precisam ser “esquentados”. 

No “brisadeiro”, por exemplo, a cannabis é diluída em manteiga e aquecida em banho maria em fogo baixo. O efeito pode ser mais intenso ou mais leve, dependendo do tempo que fica na panela. 

A mistura é usada como uma nova manteiga, que é acrescentada no preparo do brigadeiro.

É seguro comer “brisadeiros” ou outros comestíveis de cannabis?

Depende. Quem não gosta de temperos fresquinhos na comida, né? No caso dos comestíveis de cannabis é a mesma coisa. Tanto pelo sabor quanto pelo cuidado, uma vez que a maioria dos prensados, por exemplo, tem procedência duvidosa, além de conterem outras substâncias além da cannabis, como amônia e até crack.

E se você conhece bem os efeitos do THC, já deve saber que o consumo exagerado pode trazer consequências, como a famosa “bad trip”. Por isso, o ideal é colocar poucas quantidades do ingrediente e ter cuidado na hora de comer. Por causa da demora dos efeitos, as pessoas podem achar tranquilo comer demais e acabam se surpreendendo com a intensidade da “alta”.

Legislação brasileira

No Brasil, a cannabis é aprovada apenas para fins medicinais e só pode ser comprada com receita. 

Atualmente, ela pode ser adquirida através de importações, nas farmácias e até por associações de pacientes. 

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