• 27 de outubro de 2021

A cannabis pode afetar procedimentos cirúrgicos?

 A cannabis pode afetar procedimentos cirúrgicos?

Que a cannabis oferece uma série de benefícios à saúde não é mais novidade. Mas será que em procedimentos cirúrgicos a cannabis pode afetar em algo?

Mesmo sendo uma planta benéfica para diversas condições, a cannabis nem sempre interage bem com outros medicamentos. Na verdade, ela pode ser extremamente perigosa dependendo de como for usada. 

Este é certamente o caso quando se trata de cannabis e anestesia. 

Passar por um preparo para uma cirurgia pode ser assustador por uma série de razões. Por isso é sempre bom se comunicar com o anestesista para que ele entenda a rotina no uso da cannabis e o impacto de diferentes métodos de consumo de cannabis na anestesia, para que possa ser reduzido o risco de complicações .   

Honestidade ao informar sobre o uso de cannabis

Se o paciente vive em um estado de proibição da cannabis, ou mesmo em um estado onde a cannabis foi legalizada apenas para uso médico, o ideal é perguntar se é legalmente seguro conversar com um anestesista sobre a rotina de cannabis.

Devido à Lei de Privacidade da HIPAA , as conversas entre o paciente e o médico, enfermeiras e outra equipe de saúde são consideradas informações de saúde protegidas, assim como as informações adicionadas ao seu registro médico.

Os profissionais só têm permissão para divulgar informações de saúde dos pacientes de forma segura para membros de agências de aplicação da lei em algumas circunstâncias muito específicas, como quando a segurança de uma pessoa ou do público está em risco, ou para cumprir uma ordem judicial. 

Em geral, é crucial que o paciente converse e seja claro com o seu anestesista sobre seus hábitos porque a cannabis pode ter efeitos nos sistemas cardiovascular e respiratório. Problemas que podem apresentar riscos maiores do que o normal durante a anestesia. 

Produtos a base de CBD e THC podem interferir na anestesia

Na verdade, existem muitas diferenças entre o impacto do THC e do CBD na saúde de pacientes anestesiados.

Os efeitos entre os dois sistemas cardiovascular e gastrointestinal são opostos.

De acordo com os profissionais da saúde, o THC tem maior probabilidade de elevar a ritmos cardíacos acelerados e pressão alta, enquanto o CBD diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial.

No caso do sistema gastrointestinal, o THC estimula o apetite, mas também pode diminuir a motilidade gástrica com o uso de longo prazo, o que pode aumentar o risco de eventos adversos, como pneumonia por aspiração.

A tolerância ao tetrahidrocanabinol tende a se desenvolver de forma muito rápida e avançada, ou seja, após apenas algumas doses, o paciente pode se tornar tolerante à quantidade e exigir doses mais altas para atingir os mesmos efeitos. O que resulta em  uma dependência, por exemplo.

Os aplicadores de anestesia já estão familiarizados com a anatomia e a fisiologia das vias aéreas, já que os pacientes precisam passar por procedimentos como intubação e ventilação mecânica durante a cirurgia.

Quando esses profissionais abordam o sistema respiratório, eles se referem ao fumo ou vapor de cannabis, o que é uma grande preocupação.

Outro ponto importante é que os pacientes não devem retomar o consumo de cannabis até que os efeitos de seus anestésicos e analgésicos tenham passado completamente após a cirurgia.

Além disso, misturar cannabis com opioides ou álcool pode causar diminuição dos reflexos e aumento dos níveis de sedação, além de comprometer a memória e a função cognitiva.

Referências

  • Leafly

 

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Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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