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Brasil supera 138 mil autorizações para importar cannabis medicinal

Brasil supera 138 mil autorizações para importar cannabis medicinal

O Brasil registrou mais de 138 mil autorizações para a importação de produtos à base de cannabis medicinal entre janeiro e julho de 2026. Somente em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu 21.762 autorizações, alta de 33,4% em relação ao mesmo mês de 2025.

Os dados fazem parte de um levantamento da Cannect, realizado a partir de informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a análise, o volume acumulado nos sete primeiros meses do ano cresceu 29,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

O resultado coloca julho entre os meses com maior número de autorizações já registrados. Em março de 2026, o país havia alcançado o pico de 23.199 autorizações.

Os números mostram a dimensão da procura por produtos importados de cannabis medicinal no Brasil. Para compreender esse movimento, porém, é necessário considerar as regras de acesso, o papel da prescrição profissional e as diferenças entre importação individual e comercialização de produtos autorizados no país.

Como funciona a importação de cannabis medicinal?

A Anvisa permite que pessoas físicas importem produtos derivados de cannabis para o próprio tratamento de saúde, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado e autorização prévia da Agência.

O procedimento segue a RDC 660/2022. O paciente ou seu representante legal precisa realizar um cadastro, apresentar a prescrição e obter a autorização correspondente antes de importar o produto.

O cadastro tem validade de dois anos. A autorização, no entanto, não significa que a Anvisa forneça o produto ou que tenha avaliado sua eficácia, qualidade e segurança nos mesmos moldes exigidos para produtos registrados.

Segundo a Agência, os produtos importados por essa via não possuem registro sanitário no Brasil. A importação ocorre de forma excepcional, para uso próprio e sob responsabilidade do paciente e do profissional prescritor.

Essas condições diferenciam a importação individual da comercialização de produtos de cannabis autorizados pela Anvisa no mercado nacional.

Nova regulamentação atualiza o mercado brasileiro

O crescimento das autorizações ocorre em um período de mudanças regulatórias para o setor. Em fevereiro de 2026, a Anvisa publicou a RDC 1.015/2026, que atualizou as regras para a fabricação e a importação de produtos de cannabis destinados ao uso medicinal humano. A norma entrou em vigor em 4 de maio.

A atualização estabelece novas disposições para a autorização sanitária desses produtos e orienta a adequação daqueles que já estavam autorizados.

A regulamentação também integra um cenário de desenvolvimento da cadeia produtiva nacional, com regras relacionadas à importação de insumos para pesquisa, desenvolvimento e fabricação de produtos.

É importante, contudo, distinguir essas mudanças das autorizações concedidas a pacientes para importar produtos destinados ao próprio tratamento. São modalidades diferentes, com finalidades e procedimentos regulatórios específicos.

O que os números significam para os pacientes?

O aumento das autorizações indica uma expansão da utilização da via de importação individual. Entretanto, os dados, isoladamente, não permitem concluir quantos pacientes únicos realizam tratamentos, quais condições clínicas concentram a demanda ou se o acesso se tornou mais fácil.

Também não demonstram, por si só, a eficácia dos produtos importados ou a qualidade dos resultados clínicos obtidos pelos pacientes.

Para avaliar o acesso à cannabis medicinal no Brasil, é necessário considerar outros fatores, como os custos do tratamento, a disponibilidade de produtos, a orientação profissional e as alternativas existentes no mercado nacional.

A evolução das autorizações oferece, portanto, um indicador relevante para acompanhar o setor. O próximo passo é observar como as mudanças regulatórias e o desenvolvimento da produção nacional poderão influenciar a disponibilidade e as condições de acesso aos tratamentos.

Lucas Panoni

Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.