Conheça as 5 principais curiosidades sobre a dor crônica. Entenda como ela altera o cérebro, a relação com o clima e como a cannabis medicinal atua na dor.
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Saúde e Ciência

5 curiosidades sobre a dor crônica que você precisa saber



05/07/2025


Conheça as 5 principais curiosidades sobre a dor crônica. Entenda como ela altera o cérebro, a relação com o clima e como a cannabis medicinal atua na dor.

curiosidades dor cronica capa

A dor crônica está ligada à problemas no sistema nervoso

Quem convive com a dor crônica sabe que ela vai muito além de um desconforto físico passageiro. A condição é conhecida por afetar o humor, o sono, as relações sociais e a produtividade.  

No entanto, nos últimos anos a neurociência moderna e a medicina canabinoide têm feito muitas descobertas sobre a relação da cannabis, o sistema nervoso e a doença. Conheça as 5 principais curiosidades sobre as dores crônicas e a cannabis medicinal.  

1. A dor crônica não é um sintoma, ela é uma doença por si só 

Ainda há pessoas que enxergam a dor como um sinal de alerta: você pisa em um prego, o sistema nervoso avisa o cérebro e você puxa o pé para se proteger. Essa é a dor aguda. 

Na dor crônica, o mecanismo é completamente diferente. Mesmo após a lesão física inicial ter cicatrizado o “sistema de alarme” permanece ativo e enviando mensagens de dor para o cérebro.  

A partir de então, o sistema nervoso central entra em um estado de hiperexcitabilidade. Com isso, o cérebro passa a interpretar estímulos comuns como toque leve ou uma mudança de temperatura como se fossem dores intensas. 

Portanto, a dor crônica deixa de ser o sintoma de uma lesão e passa a ser uma doença primária do próprio sistema nervoso. 

2. A dor crônica altera a estrutura do cérebro? 

Sim, a dor crônica é capaz de alterar a estrutura do cérebro. No entanto, não se preocupe, esse processo é reversível.  

O processamento constante de sinais dolorosos, 24 horas por dia, exige tanto esforço do cérebro que pode causar:  redução temporária na densidade da massa cinzenta em áreas responsáveis pelo controle emocional e à cognição. 

Da mesma forma que o cérebro “aprendeu” a sentir dor e encolheu, estudos mostram que quando o paciente encontra um tratamento eficaz para dor crônica, a massa cinzenta se regenera e recupera o volume normal.  

3. Dores física e emocional compartilham a mesma região do cérebro 

Você já sentiu uma dor física real no peito ou no corpo após um término de relacionamento, uma perda ou um episódio de forte rejeição social? Isso não é força de expressão. 

Exames de ressonância magnética revelam que o sofrimento emocional ativa o córtex cingulado anterior, a mesma região responsável por processar sinais de dor relacionados a queimaduras ou fraturas, por exemplo. 

É por isso que a ansiedade, a depressão e o estresse não são apenas consequências da dor crônica, mas gatilhos reais que aumentam a intensidade física da dor. 

4. O clima realmente afeta a dor? 

Sim. Pessoas que sofrem com dores as articulações conseguem “prever o tempo” a partir dos incômodos que sentem.  

Não é exatamente o frio que inicia o processo de dor nas articulações, mas a queda da pressão atmosférica que antecede as tempestades e frentes frias. 

Quando a pressão do ar diminui, ela exerce menos força contra o nosso corpo. Isso permite que os tecidos, fluidos e cartilagens ao redor das articulações se expandam levemente.  

Em um paciente que já possui os nervos hipersensíveis devido à dor crônica, essa micro expansão é o suficiente para dar início ao incômodo.  

5. O sistema endocanabinoide e a dor crônica 

O nosso corpo possui um sistema regulador chamado sistema endocanabinoide, que é responsável por manter o equilíbrio de quase todas as funções como, por exemplo: sono, apetite, humor e a modulação da dor. 

Em pacientes com dor crônica, esse sistema costuma estar em desequilíbrio ou esgotado. É exatamente por isso que a cannabis medicinal funciona onde os analgésicos comuns falham. 

Os fitocanabinoides da planta mimetizam os compostos que o nosso próprio corpo deveria produzir.  

Eles se ligam aos receptores CB1 (no cérebro) e CB2 (no sistema imune), atuando diretamente na redução da inflamação e no ajuste do sistema de alarme da dor.  

Dúvidas mais comuns sobre dor crônica 

1. Por que meus exames de imagem dão normais e eu sinto tanta dor? 

Porque exames de ressonância avaliam a estrutura física do corpo, enquanto a dor crônica é uma falha na transmissão no sistema nervoso. O sistema de alarme do cérebro fica desregulado e envia sinais de dor mesmo sem nenhuma lesão visível. 

2. Quando a dor deixa de ser aguda e vira crônica? 

Uma dor é classificada como crônica quando ela persiste ou recorre por mais de 3 meses. 

3. Por que anti-inflamatórios comuns param de funcionar na dor crônica? 

Porque os anti-inflamatórios tratam de inflamações locais e agudas nos tecidos. A dor crônica é um problema de hipersensibilidade no sistema nervoso central e no cérebro, onde esses medicamentos não têm eficácia. 

4. Qual a diferença entre dor nociceptiva, neuropática e nociplástica? 

  • Nociceptiva: causada por lesões em tecidos, como ossos e músculos; 
  • Neuropática: causada por lesão direta nos próprios nervos; 
  • Nociplástica: disfunção na forma como o cérebro processa a dor, sem lesão aparente. 

5. Qual a relação entre a dor crônica e a saúde do intestino? 

Cerca de 70% das células imunes estão no intestino. O desequilíbrio da microbiota intestinal gera uma inflamação de baixo grau que atinge o cérebro, aumentando a percepção e a intensidade da dor pelo corpo. 

6. Como a falta de sono e a dor crônica criam um ciclo vicioso? 

A dor fragmenta o sono e impede o descanso profundo. Por outro lado, dormir mal reduz o limiar de dor do cérebro no dia seguinte, desativando os amortecedores naturais de sofrimento do corpo e fazendo tudo doer mais. 

7. Por que os médicos evitam o uso de opioides no longo prazo? 

Porque o uso prolongado de opioides causa tolerância, alto risco de dependência e pode gerar hiperalgesia, um efeito colateral que torna o paciente ainda mais sensível à dor. 

8. Todo produto de Cannabis funciona para dor crônica? 

Não. O CBD isolado ajuda em dores puramente inflamatórias ou associadas à ansiedade. Já dores neuropáticas e nociplásticas costumam exigir óleos Full Spectrum, capazes de bloquear os sinais de dor diretamente no cérebro. 

9. Devo ficar em repouso absoluto se sinto dor ao me mover? 

Não. O repouso absoluto atrofia os músculos e piora a sensibilidade cerebral. O correto é realizar exercícios de baixo impacto, pois liberam endorfinas e funcionam como analgésicos naturais. 

10. A dor crônica pode ser hereditária? 

Existe uma predisposição genética na forma como o sistema nervoso processa os neurotransmissores da dor. Contudo, são os fatores ambientais que determinam se esses genes serão ativados ou não.

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Rodrigo Svrcek