• 28 de fevereiro de 2021

 Advogada encontra oportunidade de negócio na cannabis

  Advogada encontra oportunidade de negócio na cannabis

Foto: Arquivo Pessoal

De uma hora para outra, a advogada se viu vendendo cosméticos de canabidiol, produtos que estão se tornando cada vez mais populares no Brasil.

Recém-formada e vivendo apenas do auxílio emergencial, Litza Aoni do Espírito Santo, encontrou por acaso uma forma de ganhar dinheiro de forma bastante inusitada. Com produtos feitos à base de cannabis.

Litza já utilizava um lubrificante feito de canabidiol (CBD), componente da maconha que não gera efeitos alucinógenos. Produto que comprava pela internet, mas o frete era bem caro.

Foi em um destes pedidos que ela pensou em encomendar junto com algumas amigas, para poder dividir o frete.

Para a sua surpresa, muitas ficaram interessadas, por isso, ela também pediu alguns itens a mais para tentar revender.

O sucesso foi instantâneo. Poucos dias depois, ela já tinha vendido todos os lubrificantes e ainda tinha gente procurando pelo produto.

“O produto bombou, e eu até contratei uma assessoria para fazer as estratégias de marketing” acrescentou a advogada.

Foto: Arquivo Pessoal

Tópicos de cannabis

Cosméticos derivados da planta estão cada vez mais populares no mundo. Hoje já é possível encontrar linhas inteiras com cremes para dor, máscaras faciais, bisnagas, óleos e adesivos.

O novo mercado tem atraído também grandes indústrias. Tanto que marcas famosas com a Avon e L’Oreal não ficaram de fora e já lançaram linhas à base de CBD.

Mercado que chegou aqui também. Tanto que em setembro de 2020 mais um produto à base de cannabis foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O gel para a parte periférica é um remédio para mulheres que têm dores durante o sexo. Este deve ser comprado com receita médica. No entanto, se você der um google, vai achar uma variedade de produtos feitos com a planta disponíveis no país.

Diferente do que muitos pensam, apesar de ser derivado da cannabis, produtos à base de canabidiol não são ilegais, principalmente se tratando de uso tópico.

Mesmo que os cosméticos tivessem tetra-tetraidrocanabinol (THC), componente que gera os efeitos alucinógenos, os cremes não tem o poder de deixar “o barato” nas pessoas. Para isso, ele teria que ser fumado ou consumido.

A maioria dos canabinóides não podem afetar as correntes sanguíneas, eles só penetram para causar alívios em locais específicos.

Novos rumos na carreira

Depois do seu empreendimento, Litza não deixou a advocacia, pelo contrário. O negócio foi um meio de auxiliar a alavancada da sua carreira.

Com o dinheiro das vendas, a advogada conseguiu pagar um curso para trabalhar na área da cannabis medicinal do direito e ajudar pacientes.

Atualmente, para conseguir plantar em casa ou pedir o custeamento do remédio pelo estado, os pacientes precisam recorrer a ações judiciais. Porém não são muitos profissionais que entendem do assunto.

“Não quero trabalhar apenas pacientes, pois o Brasil não vai conseguir empurrar por muito tempo a lei antidrogas. (…) A questão industrial não tem muito pra onde correr e penso que quando expandir, vai precisar de advogados especializados nisso.” Acrescenta.

 Sobre o seu recente negócio, ela falou ainda que pretende expandir. Moradora do Espírito Santo, Litza não encontra nada do seguimento no seu estado.

Além de lubrificantes, a advogada já está se preparando para vender também pomadas para dor, óleos e cremes terapêuticos.

“Eu não conhecia este mercado tão a fundo, fui pesquisar e saber mais e percebi que ele é gigantesco.” Complementou.

A longo prazo, Litza Aoni pensa até em ter a sua própria linha de produtos.

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Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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